sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Crítica – Alabama: Presos do Sistema

 

Crítica – Alabama: Presos do Sistema

Review – Alabama: Presos do Sistema
Realizar um documentário implica em estar aberto ao que a realidade vai apresentar a você, mesmo que você tenha feito planos diferentes a respeito do que deseja filmar. Alabama: Presos do Sistema é um exemplo disso. Os diretores Andrew Jarecki e Charlotte Kaufman foram à mais severa prisão do estado do Alabama nos Estados Unidos para filmar um avivamento religioso feito por pastores que atuam no sistema prisional. Chegando lá, no entanto, são abordados por vários presos que denunciam maus tratos no local e os funcionários do presídio logo encerram a filmagem e colocam a equipe para fora. Os diretores então passam a investigar o que acontece no sistema prisional.

Cárcere rígido

O documentário então se desenvolve através de conversas que os documentaristas tem com presos através de celulares que os detentos conseguem trazer ilegalmente dentro da prisão e também de vídeos feitos por esses detentos documentando os maus tratos. A ação à margem da lei se dá porque as autoridades não permitem que os presos falem com imprensa ou recebam pessoas, numa prática que não é comum no sistema prisional. É um documentário de natureza expositiva e, talvez por isso, soe um pouco cansativo, já que ele nos bombardeia o tempo todo com depoimentos ou dados que estão sempre nos explicando as coisas, pegando o espectador pela mão sem dar muito espaço para reflexão.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Crítica – Assassinato em Mônaco

 

Análise Crítica – Assassinato em Mônaco

Review – Assassinato em Mônaco
Um bilionário é morto em sua cobertura em Mônaco. Ele estava trancado em seu quarto do pânico, mas morreu asfixiado pela fumaça de um incêndio iniciado por invasores. Parece a premissa de um mistério escrito por Agatha Christie, mas é o caso real envolvendo a morte do banqueiro Edmond Safra. Produzido pela Netflix, o documentário Assassinato em Mônaco reconta essa história e vai um pouco além, ponderando também sobre objetividade no documentário e o que acontece quando um cineasta se envolve demais com os sujeitos filmados.

Mistério do quarto fechado

O documentário narra como o banqueiro Edmond Safra foi morto em sua cobertura em Mônaco e toda a investigação que se seguiu, com direito a várias teorias conspiratórias e diferentes suspeitos que iam desde a máfia russa, para quem Safra supostamente lavava dinheiro, passando pela sua viúva, a brasileira Lily Safra cujo marido anterior também morrera em condições suspeitas, chegando até o enfermeiro de Edmond, Ted, que teria inventado a história de invasores no apartamento, simulado ter sido esfaqueado por eles e iniciado um incêndio para alertar as autoridades, que demoraram demais a vir.

Conheçam os indicados ao Oscar 2026

O Agente Secreto é indicado a 4 Oscars

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou hoje os indicados ao Oscar 2026. O filme Pecadores lidera em número de indicações, concorrendo em dezesseis categorias, seguido por Uma Batalha Após a Outra que recebeu treze indicações. O filme brasileiro O Agente Secreto igualou o recorde de Cidade de Deus como o filme nacional com mais indicações, disputando quatro categorias, incluindo melhor filme, melhor filme em língua estrangeira e melhor ator para Wagner Moura. Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso concorre ao Oscar de melhor fotografia pelo filme Sonhos de Trem. A cerimônia do Oscar acontecerá em 15 de março. Confiram abaixo a lista completa de indicados.

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Crítica – Família de Aluguel

 

Análise Crítica – Família de Aluguel

Review – Família de Aluguel
Como qualquer país o Japão tem sua parcela de paradoxos e contradições. Por um lado é um país bastante avançado tecnologicamente, com uma ética de trabalho admirável. Por outro ainda é uma sociedade extremamente rígida e apegada a tradições, inclusive em relação a questões de gênero, sexualidade e relacionamentos. Família de Aluguel explora algumas dessas contradições do país ao observar dinâmicas de relações familiares.

Performance cotidiana

A narrativa é protagonizada por Philip (Brendan Fraser), um ator dos Estados Unidos que mora há anos no Japão e cuja carreira está estagnada. As coisas mudam para ele quando vai trabalhar na empresa de Shinji (Takehiro Hira, de Monarch: Legado de Monstros) que contrata atores para atuarem como “familiares de aluguel” para seus clientes. Boa parte desses serviços visa contornar tradições rígidas da vida familiar japonesa. Uma jovem lésbica contrata Philip para posar como seu marido para os pais para finalmente poder sair do país e viver com a namoradas. Maridos adúlteros contratam as atrizes para se passarem por suas amantes para pedir perdão às esposas sem precisar expor suas amantes reais. Uma mãe pede a Philip para se passar por seu marido para que sua filha tenha chance em entrar em uma escola de prestígio, já que uma mãe solteira não seria bem vista.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Crítica – Dinheiro Suspeito

 

Análise Crítica – Dinheiro Suspeito

Review – Dinheiro Suspeito
Sinto que desde que chamou atenção com o ótimo Narc (2002), o diretor Joe Carnahan nunca mais fez algo no mesmo nível, variando entre algumas coisas divertidas, mas pouco memoráveis, como seu reboot de Esquadrão Classe A (2010), ou péssimas, como pavoroso Shadow Force: Sentença de Morte (2025). Talvez por conta disso fui assistir esse Dinheiro Suspeito, produzido pela Netflix, esperando mais um chorume genérico de streaming, no entanto, o resultado é um sólido thriller e o melhor trabalho de Carnahan em muito tempo.

A cor do dinheiro

A narrativa é levemente baseada na história real de agentes de Narcóticos da Flórida que encontraram mais de vinte milhões de dinheiro de tráfico de drogas guardado em uma casa. Aqui a trama é protagonizada por Dane (Matt Damon), o segundo no comando de sua unidade que assume a liderança depois que sua capitã, Jackie (Lina Esco), é assassinada em uma emboscada ainda não investigada. Dane leva sua unidade a uma casa nos subúrbios depois de supostamente receber uma denúncia de que o local guardava dinheiro dos cartéis. Chegando lá, a única habitante é Desi (Sasha Calle, a Supergirl de Flash) que diz não saber nada do dinheiro. Investigando o local, descobrem ainda mais dinheiro do que a denúncia inicial sugeria e logo eles sabem que virarão alvos. Dane decide seguir o protocolo de contar o dinheiro no local e depois chamar o comando para vir pegá-los, mas o tempo para contar tanto dinheiro significa mais tempo para as coisas darem errado, seja em termos dos donos do dinheiro aparecerem, seja porque os membros da unidade podem se interessar em ficar com parte do valor.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

 

Análise Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Review – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Biografias de artistas da música normalmente se debruçam sobre figuras de grande sucesso, que marcaram época e tiveram canções que ficaram no imaginário da população. O que me chamou atenção neste Song Sung Blue: Um Sonho a Dois foi justamente o fato do filme ir na contramão disso ao acompanhar uma dupla de músicos de modesto sucesso local.

Música em família

A trama se baseia na história real do casal Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson) Sardina, duas pessoas de meia idade que se apaixonam pelo desejo de viver de música e juntos formam uma banda-tributo a Neil Diamond que faz muito sucesso na cidade de Milwaukee. A narrativa mostra as vidas difíceis dos dois e como eles se conectam pelo amor música, com a banda servindo para que eles superem os momentos mais difíceis de suas vidas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

Review – Palm Royale: 2ª Temporada
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco inferior que o primeiro.

Fundos de família

A narrativa se passa meses depois do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma (Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber) que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de Norma.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Drops – Boca de Fumo

 

Crítica – Boca de Fumo

Review – Boca de Fumo
Estrelado por Dave Bautista, fui assistir Boca de Fumo esperando ao menos um filme B de ação divertido, mas nem isso ele consegue entregar. É uma trama que poderia render algo interessante se não se acomodasse no mais rasteiro do cinema de ação e nem isso conseguisse fazer direito.

Crime em família

O agente Ray (Dave Bautista) e seu parceiro Washburn (Bobby Cannavale) trabalham para a DEA em El Paso e investigam um perigoso cartel operando na cidade. As coisas se complicam quando o cartel passa a ser alvo de roubos e a dupla tenta investigar quem os está atacando. O que Ray não sabe é que a gangue é liderada por seu filho, Cody (Jack Champion, o Spider de Avatar). Cody e outros colegas de escola, também filhos de agentes do DEA passaram a usar o equipamento dos pais para roubar o cartel depois que o pai de outro colega foi morto durante a operação. Vendo que o DEA não daria apoio financeiro à família do falecido, Cody e os amigos decidiram roubar o cartel para dar a família deles meios para sobreviverem.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

 

Análise Crítica – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Review – Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Dirigido por Mary Bronstein, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria transita entre o horror, a comédia, o drama e o surrealismo para acompanhar a ansiedade constante da maternidade, em especial quando uma mãe tenta lidar com tudo sozinha, cuidando da filha, tendo uma profissão e ainda lidando com os problemas do lar. É um exame angustiante de uma mulher em crise que não dá ao espectador ou a sua protagonista um instante para respirar.

Crise maternal

A narrativa é protagonizada por Linda (Rose Byrne) uma mulher lidando com uma misteriosa doença que acomete a filha, obrigando a garota a usar uma sonda. Ela também se encontra morando em um quarto de hotel, já que o teto de seu apartamento desabou por conta de mofo e de encanamento defeituoso. Ela lida com tudo isso sozinha já que o marido (Christian Slater) é um militar que trabalha longe. Linda trabalha como terapeuta e uma de suas pacientes, a jovem mãe Caroline (Danielle Macdonald), desaparece no meio de uma sessão e deixa seu bebê no consultório. Linda faz terapia para tentar enfrentar todas essas crises, mas sente que seu terapeuta (Conan O’Brien) não dá a mínima para ela.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Crítica – Marty Supreme

 

Análise Crítica – Marty Supreme

Review – Marty Supreme
Os irmãos Josh e Benny Safdie dirigiram juntos filmes intensos como Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019). Esse ano eles resolveram trabalhar cada um em um projeto solo, com Benny dirigindo o morno Coração de Lutador e Josh conduzindo este Marty Supreme, que é bem mais próximo da energia insana dos filmes da dupla.

Destino na mesa

A narrativa se passa na Nova Iorque da década de 50 e acompanha Marty (Timothee Chalamet), um jovem que trabalha na loja de sapatos do tio, mas que sonha em se tornar uma estrela do ping pong. Ele larga o emprego, roubando dinheiro da loja financiar a viagem já que tem a certeza que vencerá o campeonato e voltará como um herói com fama e dinheiro para fazer todos os seus problemas sumirem. Os planos de Marty não dão certo e ele volta ao país com dívidas e problemas com a lei, ainda assim ele acredita que se conseguir vencer o próximo torneio, que será no Japão, ele conseguirá resolver tudo. No percurso ele tenta conseguir patrocínio do empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary, em um papel que certamente iria para Bob Hoskins se esse filme fosse feito nos anos 90), mas se envolve com a esposa dele, a atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow), que é infeliz no relacionamento e quer voltar a atuar. As coisas se complicam ainda mais quando Rachel (Odessa A’zion), uma garota com quem Marty se relacionou no passado, aparece grávida dizendo que o filho é dele.