Conheço muito pouco sobre o
teatro kabuki, forma de encenação tradicional do Japão, então uma das coisas
que me atraiu para este Kokuho: O Preço
da Perfeição foi ele contar uma história sobre este universo. É um épico
dramático que se estende por décadas e analisa os altos e baixos da dedicação
de um artista ao seu ofício e a maneira muito particular com a qual o kabuki
funciona.
Palco da vida
A narrativa começa no Japão dos
anos 60 e é centrada em Kikuo (Ryo Yoshizawa), um jovem filho de um figurão da
yakuza. Quando seu pai é assassinado, Kikuo tenta se vingar, mas seu plano
falha. Sem ter para onde ir, Kikuo é adotado pelo ator kabuki Hanjiro Hanai
(Ken Watanabe). No kabuki apenas homens atuam, isso significa que até papéis
femininos são interpretados por homens. Os atores que se dedicam a papéis
femininos são chamados de onnagatas e Hanai é um famoso onnagata. Ao adotar
Kikuo, Hanai decide treiná-lo para ser um onnagata junto com seu próprio filho,
Shunsuke (Ryusei Yokohama). A esposa de Hanai se opõe que ele ensine Kikuo, já
que o kabuki é um ofício passado de pai para filho e por ser alguém que não vem
de uma linhagem kabuki, Kikuo poderia não ser aceito e isso poderia desonrar
até a família de Hanai. Ainda assim, o veterano ator decide preparar Kikuo para
o kabuki junto com Shunsuke. Conforme Kikuo demonstra talento e chama a atenção
de Hanai, uma rivalidade cresce entre Shunsuke e Kikuo.