A série de livros All You Need is Kill de Hiroshi
Sakurazaka já tinha sido adaptada em mangá e levada para os cinemas via
Hollywood com No Limite do Amanhã
(2014). Agora retorna aos cinemas em forma de longa animado com este Você Só Precisa Matar.
Viva, Morra, Repita
A narrativa acompanha Rita, uma
jovem solitária que faz parte de uma força-tarefa dedicada a estudar o Darol,
um enorme alienígena em formato de planta que caiu na Terra um ano atrás. Um
dia, o ser emite um enorme pulso eletromagnético e libera várias criaturas no
planeta. Rita é morta por um deles, mas estranhamente acorda no mesmo dia, como
se nada tivesse acontecido. Ela tenta avisar os companheiros da catástrofe iminente,
mas ninguém acredita nela. Rita então tenta resolver as coisas sozinha,
aprendendo a cada morte como se fosse um videogame.
A primeira cena dessa nova versão
de O Morro dos Ventos Uivantes dá a
impressão que a diretora Emerald Fennell, de Saltburn (2023), entende o que está no cerne do texto original de
Emily Bronte. A tela está preta, ouvimos uma respiração arfante e sons de
gemidos. Imaginamos se tratarem de sons emitidos durante o sexo, mas a imagem
se revela e nos mostra uma execução pública, uma pessoa sendo enforcada e
sufocando. Assim que o sujeito morre, o público que assiste explode em júbilo,
algumas pessoas começam a transar. A punção sexual e a punção de violência
estão conectadas. Uma população que vive em uma época de pudores e recato
desloca sua libido para a violência, a crueldade e um senso de revanchismo. A
ideia que a alienação afetiva e uma vida de maus tratos e de afetos não concretizados
desperta o pior nas pessoas era central no romance de Bronte e ao assistir a
primeira cena pensei que o filme se manteria fiel a esse espírito.
Todo o material de divulgação de Dupla Perigosa dava a impressão de um
filme de ação bem qualquer coisa, daqueles que serviços de streaming jogam no catálogo todo final de semana só pra dizer que
tem coisa nova para assistir. Resolvi conferir por pura preguiça de procurar
alguma coisa e acabei me surpreendendo positivamente. Não reinventa a roda, nem
qualquer inovação, a trama é relativamente previsível, mas é carismático e bem
executado o bastante pra divertir.
Irmãos em armas
A narrativa acompanha James (Dave
Bautista) e Jonny (Jason Momoa), dois irmãos que estão há anos sem se falar e
não tem uma boa relação. Quando o pai deles, que era investigador particular,
morre em um suposto atropelamento, Jonny vai até o Havaí para o enterro. Lá ele
desconfia que há algo mais na morte do pai e convence James a investigar a
questão junto com ele. Logo eles esbarram em uma grande conspiração criminosa.
Lançado em 1997, Anaconda não foi bem recebido. Muito
disso se devia à trama ridícula, efeitos visuais ruins, atuações canastronas e
equivocadas (por exemplo Jon Voight interpretando um brasileiro com o pior
sotaque posto em celuloide) justificavam essa reação. Essas características, no
entanto, contribuíram para que, com o tempo, o filme se tornasse meio que cult, com comunidades de fãs celebrando
o filme por ser divertido justamente por conta de sua ruindade. Como Hollywood
não consegue deixar nenhuma propriedade intelectual parada era questão de tempo
até que uma nova versão fosse feita, exatamente o caso deste Anaconda, que se posiciona de imediato
como uma comédia.
A cobra vai fumar
A narrativa acompanha os amigos
Doug (Jack Black), Griff (Paul Rudd), Claire (Thandiwe Newton) e Kenny (Steve
Zahn). Quando jovens eles sonhavam em fazer cinema, mas abandonaram esse sonho.
Apenas Griff segue tentando ser ator, mas sem muito sucesso. Um dia Griff
procura os amigos dizendo que conseguiu os direitos de Anaconda e juntos eles decidem vir para o Brasil produzir uma nova
versão. Aqui eles contratam Santiago (Selton Mello) tratador de animais que tem
uma anaconda. Eles partem em uma viagem pelo rio Amazonas no barco de Ana
(Daniela Melchior, a Caça-Ratos de O Esquadrão Suicida) e começam a filmar, mas as coisas se complicam quando a
cobra de Santiago é acidentalmente morta durante as filmagens e o grupo decide
entrar na floresta em busca de uma nova cobra.
Depois de um ano de estreia bacana, Fallout retorna para sua
segunda temporada com uma trama que soa mais como uma grande preparação para um
conflito vindouro do que algo pensado como uma unidade autônoma. Por outro
lado, a série continua entregando uma adaptação competente, que aproveita bem o
universo dos games.
A guerra não muda
Depois dos eventos do primeiro ano, Lucy (Ella Purnell) e Cooper (Walton Goggins) viajam juntos em direção a
New Vegas atrás do esconderijo de Hank (Kyle MacLachlan). Enquanto isso,
Maximus (Aaron Moten) finalmente se torna o cavaleiro da Irmandade de Ferro que
sempre sonhou, mas isso não significa que sua vida tenha necessariamente
melhorado, principalmente quando o líder de sua divisão maquina um meio de
assumir o controle.
Como sou fã de romances
policiais, fiquei curioso para conferir a minissérie da Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie,
adaptando um romance da famosa escritora de mistério. Infelizmente o resultado deixa
a desejar e parece não compreender o que tornava as histórias de Christie tão
envolventes.
Assassinato no campo
A narrativa parte de uma premissa
típica dos livros de Christie. Durante uma festa em uma mansão, uma pessoa é
assassinada. Há um número limitado de suspeitos e uma arguta investigadora em
Lady Eileen (Mia McKenna-Bruce), amiga do falecido. Ela é auxiliada pelo
superintendente Battle (Martin Freeman) e ao longo da investigação se envolvem
com uma misteriosa organização secreta e o roubo de uma invenção
revolucionária.
Ao longo de três episódios a
impressão é que a trama caminha de maneira arrastada. Apesar de ser uma
história sobre conspirações, sociedades secretas, invenções sigilosas e muitos
segredos em jogo, não há qualquer senso de urgência, de que esses personagens
estão correndo contra o tempo ou sob algum senso real de ameaça. Mesmo durante
o clímax no trem com alianças mudando e armas sendo brandidas, nunca sentimos
que Eileen corre qualquer risco.
Os episódios conduzem a investigação
de modo bastante protocolar, mostrando as pistas, as reviravoltas e despistes.
A impressão é que os responsáveis pela série acham que basta reproduzir essa
natureza de quebra cabeça dos mistérios de Christie para fazer a história
funcionar, mas não entendem que há muito mais nesse tipo de narrativa do que
apresentar um mistério com pistas a serem desvendadas.
Além da já citada incapacidade de
construir intriga ou tensão, algo que os romances de Christie faziam muito bem,
a série deixa de lado outro aspecto muito importante da obra da escritora que é
a sua prosa e a personalidade que ela dá aos seus personagens. As histórias de
Christie normalmente são habitadas por um limitado plantel de suspeitos, cada
um com suas idiossincrasias e personalidades excêntricas. Aqui, os personagens
são figuras esquecíveis, que existem para mover a narrativa adiante, mas não
tem nada de memorável.
Os diálogos espirituosos e
mordazes, que constantemente comentavam sobre a sociedade britânica, também não
estão presentes nessa adaptação, perdendo muito do charme do texto de Christie.
O resultado são diálogos predominantemente expositivos, onde os personagens o
tempo todo explicam as pistas e seu raciocínio, mas sem muita coisa que dê
personalidade a essas falas. A jovem Mia McKenna-Bruce até tenta fazer de Lady
Eileen uma jovem destemida, que não hesita em falar o que pensa, porém é
limitada pelo texto insosso.
No fim, Os Sete Relógios de Agatha Christie entrega um mistério inane, sem
qualquer suspense, povoado por personagens desinteressantes e uma trama que
rapidamente mergulha no tédio.
A premissa de O Som da Morte era basicamente a da
franquia Premonição ao trazer um
grupo de adolescentes tentando fugir da “morte”, então não estava
particularmente empolgado para assistir. Ainda assim resolvi conferir e ao
menos o resultado final tem elementos suficientes para agradar fãs de terror.
Morte à espreita
A trama é protagonizada por Chrys
(Dafne Keen), que se muda para uma nova cidade e uma nova escola depois de uma
tragédia pessoal. No primeiro dia de aula, ela descobre um estranho apito maia
em seu armário, que aparentemente pertencia ao aluno que usava o armário antes
dela e morreu sob circunstâncias misteriosas. Obviamente a garota resolve pegar
o estranho artefato que sussurra coisas sombrias para ela e mostra para seu
novo grupo de amigos. Quando um deles assopra o apito, porque claro que
adolescentes vão achar uma boa ideia usar um artefato ancestral com um entalhe
que diz que ele invoca a morte, descobrem que atraíram suas mortes futuras para
o presente e que elas estão os perseguindo. Agora eles precisam encontrar um
jeito de eliminar a maldição.
Não creio que ninguém estivesse
clamando por uma série ou filme do Magnum,
herói da Marvel que começou como vilão e que também teve uma carreira como ator
de cinema. É o tipo de coisa que faz parecer que o estúdio está raspando o
tacho em meio a um desgaste de suas produções. O resultado, no entanto, é um
interessante estudo de personagem que explora a faceta do herói como ator de
cinema para pensar no estado atual de Hollywood e também no desgaste recente de
filmes de heróis.
Super astro
A narrativa é protagonizada por Simon
Williams (Yahya Abdul Mateen), um ator que há anos tenta, sem sucesso, vencer
em Hollywood. Um dia ele encontra Trevor Slattery (Ben Kingsley) em um cinema e
fica sabendo que estão acontecendo testes para um remake de Magnum, um antigo filme de super-herói que ele viu quando
era pequeno e que o inspirou a virar ator. Agora ele e Trevor se juntam para
tentar conseguir uma escalação no filme. Só há um problema, Simon tem super
poderes que ele não consegue controlar e Hollywood não permite pessoas com
poderes em sets de filmagem, então ele precisa manter seus poderes sob controle
e ocultos para conseguir o papel.
Considerando as bombas que Gerard
Butler vem fazendo, Destruição Final: O Último Refúgio (2021) era uma produção competente, que reproduzia muitos
lugares comuns de filmes catástrofe, mas ao menos acertava ao focar no elemento
humano. Já sua continuação Destruição
Final 2 (aparentemente a primeira destruição não foi definitiva o suficiente),
ignora o que o primeiro fez bem e entrega algo bem pior.
Destruição vazia
Cinco anos depois dos eventos do
primeiro filme, a paisagem da Terra mudou radicalmente depois da queda do
cometa. O clima mudou em muitos lugares, impossibilitando a vida, a radiação
aumentou em vários territórios e chuvas de meteoros ainda atingem o planeta.
John (Gerard Butler) vive com sua família, a esposa Allison (Morena Baccarin) e
o filho Nathan (Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit), no bunker no qual se abrigaram no fim do filme anterior, mas
quando uma catástrofe atinge o local são obrigados a fugir para a Europa. Lá
eles decidem ir até a cratera onde o principal cometa caiu cinco anos atrás, já
que sondagens indicam que o local se tornou um vale habitável.
Os filmes do diretor Park
Chan-Wook normalmente envolvem atos de vingança ou personagens envolvidos em
violência, como o caso de Oldboy(2003). Não é diferente neste A Única
Saída, no qual o protagonista, ainda que comece como um sujeito comum e
pacato, acabe recorrendo à violência por crer ser a única maneira de lidar com
a situação.
Vida de trabalho
A trama é protagonizada por
Man-su (Lee Byung-hun), um engenheiro que trabalhou por décadas em uma fábrica
de papel. Sua vida parece perfeita até que sua empresa anuncia uma fusão com
uma companhia dos Estados Unidos. A primeira decisão dos novos donos é uma onda
de demissões e Man-su é um dos demitidos. Tendo trabalhado por praticamente
toda vida com papel, ele não sabe fazer outra coisa e não vê futuro. Ele tenta
um cargo inferior ao seu em uma companhia menor, no qual trabalharia como
subalterno de um ex-funcionário, mas sua entrevista é um desastre. Ele então
encontra uma maneira de ficar com a vaga, matando seus competidores. Para isso
publica um falso anúncio nos classificados, se passando por uma nova empresa de
papel, para receber currículos de potenciais rivais e então obter suas
informações.