quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

 

Análise Crítica – Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

A arte é um produto de seu tempo. Quando olhamos para um filme feito décadas atrás, por mais que gostemos dele, provavelmente veremos elementos que mostrem o quanto essa produção é datada e reflete certos pontos de vista que não bem aceitos como na época em que foram realizados. O horror slasher, principalmente aquele feito nas décadas de 70 e 80, com histórias voltadas para personagens adolescentes e muitas vezes situados em acampamentos de férias ou cabanas isoladas, não é exceção a essa regra. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte se propõe a refletir sobre o slasher apontando os seus problemas, mas também tentando entender o fascínio que esses filmes exercem ainda hoje.

Indústria cíclica

A narrativa é protagonizada por Kris (Hannah Einbinder) uma jovem diretora independente contratada para produzir um reboot da franquia de terror Acampamento Miasma. Os executivos do estúdio esperam que ela, uma diretora preocupada com representatividade, crie uma nova história de origem para o assassino Little Death (Jack Haven), colocando-o como uma figura trágica e afastando as acusações de transfobia da franquia original. Kris busca a atriz Billy Presley (Gillian Anderson) que atuou no filme original e evitou as continuações, mas o estúdio se opõe a trazer uma atriz sexagenária e não tão famosa como protagonista do reboot.

A premissa aponta tendências contemporâneas de Hollywood que recorre a cineastas independentes para tentar revitalizar franquias cansadas sob a justificativa de renovar o olhar, mas o que eles querem é apenas usar o nome dessas pessoas para dar algum verniz de algo mais artístico, mais preocupado com posicionamentos políticos ou sociais, sem de fato querer transformar nada. No mundo real diretoras como Chloe Zhao ou Nia DaCosta são cooptadas para grandes franquias como a Marvel (em Eternos e As Marvels) justamente para esse fim.

Isso é visível na cena em que Kris conversa via Zoom com os executivos e produtores, com a preocupação deles sendo apenas a de “limpar” os preconceitos da franquia sem mexer no resto. A própria Kris diz isso em uma conversa com Billy, afirmando ter sido contratada apenas por ser uma jovem e promissora diretora envolvida com questões LGBT para dar a impressão de que os produtores se preocupam com sensibilidades contemporâneas enquanto vendem a mesma coisa.

Passado problemático

O filme comenta mais especificamente sobre as representações feitas pelos filmes slasher e certa tradição conservadora e de reforçar preconceitos que esses filmes tem. Não é exatamente novidade, a franquia Pânico já falava um pouco sobre como esses filmes punem com mortes sangrentas condutas como fazer sexo ou usar drogas, além de mirarem em minorias.

Aqui, porém, o foco é em alguns tipos de representação. Filmes como Acampamento Sinistro (1983) traziam pessoas trans como assassinos desequilibrados como se ser trans fosse algo aberrante e um atestado de instabilidade mental ou conduta dissimulada. Quando Kris e Billy assistem ao Acampamento Miasma original, elas comentam como a origem de Little Death é tratada em termos puramente preconceituosos. As cenas de morte também seguem a cartilha da punição, o assassino mata pessoas que transam ou que usam drogas.

As mortes são filmadas de maneira propositalmente tosca e exagerada, com chafarizes de sangue jorrando a cada golpe do assassino e uma física nada realista, como o momento em que Little Death empala um adolescente com sua lança e depois bate o corpo dele em um mastro, fazendo sua vítima explodir em mil pedaços. É algo feito não para aterrorizar ou chocar como esses filmes originalmente faziam, mas para satirizar o exagero dessas produções e modo virulento que essas mortes refletiam certos preconceitos e visões conservadoras. O segmento em que Billy e Kris assistem aos filmes antigos, no entanto, dão a sensação de que o filme se detém neles mais do que deveria.

Paradoxos do coração

Embora tenha críticas à franquia, Kris também exibe uma apreciação por esses filmes e tenta entender o que move sua conexão com eles. Em suas interações com Billy, que florescem em um affair, ela pondera sobre a natureza erótica desses filmes, da nudez, do tesão adolescente, da excitação de transar no mato e também na tensão de correr pela vida enquanto perseguida por um assassino, de estar em meio a uma crise dessas lutando para sobreviver e extrair prazer disso. As falas da personagem encontram eco nas falas de Billy sobre perder a virgindade e como ela teve o melhor orgasmo da vida ao imaginar Little Death se aproximando.

São ideias que me remetem ao livro A Filosofia do Horror de Noel Carroll que analisa o porquê de consumirmos histórias de horror. O teórico analisa como o medo e a repulsa são emoções que guiam o horror, que o prazer do gênero vem da curiosidade com o anômalo, com o monstruoso e ter essa curiosidade saciada. A grosso modo, queremos saber como é lidar com algo assim imponderável, assustador, e o horror permite experimentar essas emoções sem estarmos realmente em perigo.

A relação com o anômalo, com o monstruoso que Kris pensa em fazer no seu filme, no entanto, não é o da rejeição ao anômalo, ao tabu, como era no passado. Isso perpassa tanto no modo como ela pensa no assassino Little Death como em outros tabus do slasher, em especial o sexo. O prazer, o orgasmo, o voyeurismo não deveriam ser objetos de punição. Morte e sexo caminhariam lado a lado em fornecer prazer e catarse. Isso fica evidente durante o clímax no qual Kris começa a ser perseguida por Little Death e a criatura começa a matar as pessoas que ela conhece e que passou o resto do filme julgando silenciosamente, como sua agente ou os executivos de estúdio, enquanto a montagem corta para imagens de Kris e Billy fazendo sexo enquanto Little Death se aproxima delas. Há uma catarse em ver os desafetos da personagem serem mortos enquanto que a proximidade com a morte parece tornar o sexo mais intenso, como se a lembrança da mortalidade tornasse mais importante nossos momentos de prazer.

O filme aborda a metalinguagem da narrativa com um surrealismo similar ao que a diretora Jane Schoenbrun fez em seu filme anterior, Eu Vi o Brilho da TV (2024). As fronteiras entre a realidade e o universo subjetivo de Kris são borradas, durante boa parte do filme não sabemos até que ponto ela está de fato sendo observada por Little Death ou se é tudo imaginação dela. A fotografia adota uma iluminação estourada e alterações na paleta de cores para comunicar esses momentos de descolamento da realidade. A dimensão paralela na qual Little Death observa nosso mundo, com paredes rosas e enrugadas, lembra um cérebro. É como se a criatura fosse o nosso subconsciente, os desejos reprimidos de pulsão de morte e de vida, de matar que detestamos ou como sentimos culpa pelos nossos prazeres sexuais. Nesse sentido, a trama não apenas critica os preconceitos carregados por esse tipo de história, mas defende suas qualidades, advogando que esses filmes tem implicitamente uma dimensão transgressora, de apontar tabus e prazeres considerados proibidos, defendendo que o gênero precisa abraçar isso se quiser continuar relevante. O filme pondera que o sexo não deveria ser punido, mas celebrado.

 

Nota: 9/10


Trailer

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Crítica – Digger

 

Análise Crítica – Digger

Review – Digger
Eu tenho uma relação de altos e baixos com o diretor Alejandro Iñarritu. Se por um lado aprecio e energia e a encenação cuidadosa de produções como Birdman (2015), por outro me incomodo com seus arroubos de autoindulgência que resultam em produções como Bardo (2023) que se acham mais espertas do que realmente são. Esse Digger me chamou atenção por tirar Tom Cruise de sua zona de conforto. Por anos o astro esteve preso em filmes de ação (como Missão Impossível e Jack Reacher)  em que repetia a mesma persona e Digger era uma chance de fazer algo diferente e explorar o potencial que o ator demonstrara em produções como Magnólia (1999), Colateral (2004) ou até mesmo em Trovão Tropical (2008).

Senhores do caos

A narrativa é focada em Digger Rockwell (Tom Cruise) magnata do petróleo que recebe de seus funcionários a notícia que suas operações na Groelândia causaram a separação de uma geleira que periga destruir a Europa. Digger notifica o caquético presidente Compson (John Goodman), mas entre fazer a coisa certa e agarrar uma oportunidade de maiores lucros, Digger opta por continuar ganhando dinheiro.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Crítica – Conforme a Música

 

Análise Crítica – Conforme a Música

Filmes hollywoodianos de dança normalmente seguem uma estrutura bem similar. Há um grupo de dança, uma competição ou disputa por uma vaga, uma rivalidade e um interesse amoroso. Estruturalmente Conforme a Música segue bem esse formato, mas tenta se diferenciar com ritmos musicais indianos e números de dança que evocam Bollywood, apelido dado à indústria cinematográfica da Índia.

Ritmo previsível

A narrativa acompanha duas amigas que acabaram de entrar na faculdade, Maya (Maitreyi Ramakrishnan, de Eu Nunca...) e Anjali (Priyanka Kedia). Buscando se enturmar, elas buscam as comunidades de descendentes de indianos como elas e decidem por entrar para o grupo de dança indiana capitaneado pelo bonitão Ronak (Ankur Rathee), por quem Anjali logo se encanta. As duas se destacam no grupo e na hora de escolher a protagonista feminina para o número da próxima competição há um empate entre Maya e Anjali. Sem contar para o grupo, Ronak decide desempatar em prol de Anjali por gostar mais dela e ter problemas com as sugestões criativas de Maya. O grupo ainda precisa pensar em uma coreografia criativa para tentar derrubar o grupo que vem sendo campeão há anos liderado por Selena (Neha Anushka).

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Crítica – Por Detrás das Palmeiras

 

Análise Crítica – Por Detrás das Palmeiras

Review – Por Detrás das Palmeiras
Triângulos amorosos, bem como conflitos de classe e etnia são uma constante no cinema. A produção marroquina Por Detrás das Palmeiras mistura drama e suspense para narrar uma história sobre abismos que separam as pessoas, como eles podem ser intransponíveis e uma crença do contrário resultar em tragédia.

Relações de poder

A narrativa se passa em Marrakesh, capital do Marrocos. Mehdi (Driss Ramdi) trabalha com o pai em seu negócio de construção e está prestando serviço para uma família de franceses quando conhece Marie (Sara Giraudau), a filha dos donos da propriedade. Marie parece se interessar por ele, mas Mehdi namora a muçulmana Salma (Nadia Kounda). Salma se recusa a fazer sexo com Mehdi, dizendo que só podem fazer isso depois que se casarem. Como Marie demonstra interesse nele, Mehdi vai para cama com ela. O protagonista tenta terminar o relacionamento com Salma, dizendo que não consegue mais esperar para terem intimidade, então Salma decide transar com ele mesmo não estando casados. Ainda assim, Mehdi deixa Salma de lado e continua a passar tempo com Marie apreciando seu estilo de vida de classe alta e a possibilidade dela conseguir um emprego para ele na prestigiosa empresa de um amigo da família. As coisas se complicam quando Salma o procura e diz que está grávida dele.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Crítica – Cartum

 

Análise Crítica – Cartum

Review – Cartum
Filmar a realidade é estar aberto para imprevistos e mudar os planos conforme a realidade filmada se transforma e impacta as vidas dos sujeitos documentados. É isso que acontece em Cartum, cuja premissa inicial era acompanhar a vida de cinco pessoas do Sudão de diferentes idades e origens para acompanhar suas vidas e o que pensavam do país. Um golpe militar seguido de uma guerra civil muda os planos do documentário, já que tanto a equipe quanto os personagens são deslocados de seus territórios. Fora do Sudão, os realizadores e personagens comentam sobre como sobreviveram e o que ainda esperam do futuro.

Mediando memórias

O filme gira em torno de cinco personagens. Os garotos Lokain e Wilson, que vivem de coletar material reciclável, o servidor público Madji, a vendedora de chá Khadmalla e o ativista político Jawad. Usando chroma-key, o filme tenta fazer os sujeitos recriarem suas experiências antes e durante a guerra, recorrendo também a imagens captadas pelo documentário antes de guerra eclodir e que são comentadas pelos participantes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Crítica – Diya

 

Análise Crítica – Diya

Review – Diya
Um bom final muitas vezes nos faz perdoar algumas falhas do filme pelo impacto que causa ou pelo modo como recontextualiza muito do que vimos. De certa forma é isso que acontece com Diya, produção de Chade que em muitos momentos parece não conseguir entregar o que promete, mas redime parte de seus problemas com sua reviravolta final.

Lei de talião

A narrativa se passa em Jamena, capital de Chade, país da África central, e é centrada no motorista Dane (Ferdinand Mbaissané). Um dia Dane acidentalmente atropela uma criança, prestando socorro e se dispondo a pagar as despesas médicas da criança. Quando o garoto vem a óbito, Dane é preso por homicídio culposo. A família do menino morto, porém, evoca a Diya, um código de conduta do local que exige retribuição pelo sangue derramado, cobrando de Dane cinco milhões de francos como reparação pela morte do garoto. Se ele conseguir, o crime é considerado reparado e não vai a julgamento. Com a perspectiva de evitar a cadeia e não se afastar da esposa grávida ou do filho que está prestes a nascer, Dane inicia uma corrida contra o tempo para juntar o dinheiro no prazo dado de duas semanas.

O filme analisa os costumes locais e os problemas em ter uma sociedade na qual a retribuição é cobrada de maneira implacável. Dane tem que pagar essa dívida de sangue, mas perde seu emprego e quaisquer outros meios para conseguir dinheiro por conta própria. Mesmo o auxilio de sua vila, que tenta levantar o dinheiro mais por senso de dever do que por simpatia ao protagonista, já que muitos falam que ele não se importa muito com a comunidade, não é suficiente para dar conta do valor pedido e Dane vai agindo cada vez mais à margem da sociedade de modo a levantar a quantia.

Como é comum em narrativas sobre culturas distantes da nossa, há um certo grau de opacidade no modo como o filme retrata esses costumes e nem tudo será completamente entendido por uma audiência brasileira por conta disso. Na audiência informal em que o delegado de polícia apresenta a proposta da Diya para Dane, ele menciona os povos aos quais a família de Dane e a família da criança morta pertenciam e como, normalmente, aquela questão seria resolvida por líderes ou anciões desses povos. São elementos que não são devidamente explicados provavelmente porque a produção foi mais pensada para uma audiência local, não sendo didática ao apresentar o funcionamento daquela sociedade embora não chegue a prejudicar o entendimento dos elementos principais da narrativa.

Coletividade e individualidade

O principal problema, no entanto, é que apesar de se estruturar como uma corrida contra o relógio, o filme nunca nos faz sentir a urgência que a premissa evoca. Falta tensão na busca de Dane e, por isso, muito da trama não tem o peso dramático que deveria porque não sentimos o devido impacto do tempo de Dane se esgotando e das consequências que irão se impor ao protagonista. O miolo também tira o filme da discussão sobre comunidade e os impactos dessa tradição datada sobre um grupo inteiro de pessoas e foca mais no lado individual entrando nesse terreno mais comum do thriller do sujeito sozinho correndo contra o tempo para combater injustiças.

É só quando o filme chega perto do final que a narrativa pega o que parecia se encaminhar para um desfecho previsível e vira do avesso ao entregar uma reviravolta que muda tudo que pensávamos saber a respeito do que estava acontecendo. A guinada amplia a discussão sobre a Diya, mostrando como ela não é apenas um recurso brutal, como também os modos como se pode abusar dela e como mesmo alguém que seria beneficiado pela reparação dela, acaba prejudicado, como acontece com a mãe do garoto atropelado. O que era um conto moral sobre alguém lidando com as consequências de um erro se torna uma reflexão sobre a necessidade de manter certos costumes tradicionais.

Se o miolo do filme carece do devido impacto à corrida contra o relógio imposta ao protagonista, o desfecho marca pelo modo como reverte nossas expectativas e amplia as camadas de debate a respeito do costume da Diya.


Esse texto faz parte de nossa cobertura da Mostra de Cinemas Africanos 2026.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Análise Crítica – Memória da Princesa Mumbi

Review – Memória da Princesa Mumbi
Falsos documentários ou mockumentaries brincam com a ideia de realidade documental e como muitas vezes recebemos de modo muito acrítico as imagens que o cinema nos dá, lembrando que mesmo no registro do real há uma construção dessas imagens e que elas podem ser modificadas ou falseadas. Memória da Princesa Mumbi mescla essa estética de falso documentário com ficção científica e romance para pensar nossa relação com as imagens, o cinema e a representação do mundo.

Futuro reverso

A narrativa se passa em 2093. Kuve (Ibrahim Joseph) viaja ao reino de Umata na costa da África para fazer um documentário sobre os efeitos de uma guerra ocorrida em 2070 que culminou com o lugar banindo a tecnologia para tentar resolver a depressão causada pela dependência tecnológica, se reestruturando em reinos retrofuturistas. Lá ele conhece Mumbi (Shandra Apondi) e a recruta para ajudar com seu documentário. Mumbi desafia Kuve a fazer um filme sem usar IA e aos poucos os dois vão se apaixonando, mas Mumbi está prometida em casamento para um príncipe de um reino vizinho.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Crítica – Reacher: 4ª Temporada

 

Análise Crítica – Reacher: 4ª Temporada

Review – Reacher: 4ª Temporada
Chegando em sua quarta temporada, Reacher continua sendo uma série relativamente formulaica embora saiba trabalhar dentro dessas fórmulas. O terceiro ano ao menos tentou apresentar uma estrutura diferente ao colocar o protagonista para se infiltrar em uma organização criminosa. Esse quarto ano, por sua vez, retorna ao formato já conhecido de Reacher acidentalmente esbarrar em uma conspiração criminosa e ser injustamente incriminado.

Nunca chove na Filadélfia

Enquanto viaja pela Filadélfia, Reacher (Alan Ritchson) encontra uma mulher agitada em um metrô. Ele suspeita que ela pode ter uma bomba, mas ela revela ter apenas uma arma e quando Reacher se aproxima a mulher se suicida. Reacher é tratado como suspeito de assassinar a mulher e levado para uma delegacia na cidade. Agentes da CIA aparecem na delegacia questionando se a mulher deu um pen drive a Reacher. Se sentindo culpado por não ter ajudado a mulher e desconfiado de que haja uma conspiração para encobrir algo, Reacher decide investigar o caso e provar a própria inocência.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Crítica – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

 

Análise Crítica – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe

Review – Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe
Na história da Odisseia, em voga nos últimos tempos por conta do filme do Christopher Nolan, bruxa Circe mantem Ulisses (ou Odisseu, dependendo da tradução) em sua ilha ao transformar seus soldados em animais. Ela também é responsável por colocá-lo de volta em seu caminho ao apontar ele na direção de um oráculo. A bruxa é, portanto, um obstáculo e um guia ao personagem e essa dualidade é evocada em Gundam Hathaway: The Sorcery of Nymph Circe na figura de Gigi Andalucia e na relação dela com Hathaway Noa.

Balada do jovem soldado

Depois dos eventos do primeiro filme em que descobrimos que Hathaway Noa é Mafty Navue Erin, líder de um movimento contrário à Federação e no qual ele recuperou o Xi Gundam, agora Hatahway começa sua cruzada contra o governo ao planejar um ataque contra uma conferência na Austrália. Enquanto isso, Gigi usa suas habilidades newtype para ver o futuro e manejar tanto Hathaway quanto o oficial Kenneth Sleg para o que ela quer.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Crítica – Antártida

 

Análise Crítica – Antártida

Resenha Crítica – Antártida
A ideia por trás de Antártida é interessante, construir um thriller na remota Estação Antártica Comandante Ferraz no Polo Sul aproveitando o isolamento da região. O problema é a trama se enrola em alguns elementos da condução do mistério e também no modo como lida com temas sensíveis.

Encontros no fim do mundo

A trama se passa em 2012, ano em que houve, no mundo real, um incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz. Pesquisadores e militares passam meses isolados na estação e a narrativa começa quando uma nova leva de pessoas chega para trabalhar no local e entre eles está a jovem cientista Inês (Marina Ruy Barbosa). Depois de uma festa de confraternização Inês é encontrada desacordada do lado de fora da base e a médica Marina (Leandra Leal) encontra indícios de estupro na jovem. A subcomandante Elizabeth (Andrea Beltrão) assume a investigação por não confiar no comandante Barros (Antonio Calloni), cuja conduta tem se tornado cada vez mais errática nos últimos tempos.