
O filme acompanha a história de
Zamperini (Jack O'Connell) velocista que serviu durante a Segunda Guerra
Mundial em um avião bombardeiro. Quando o avião é abatido, Zamperini e dois
companheiros passam semanas à deriva no oceano em um bote salva-vidas. Como se
isso não fosse o bastante, eles são resgatados por um navio japonês que os
prende, fazendo-os passar o resto da guerra em um campo de prisioneiros.
O principal problema é o retrato
raso que o filme faz de seu protagonista. Desde as primeiras cenas da sua
infância o filme vai estabelecendo-o como mártir em potencial em uma profusão
de diálogos que falam sobre a importância de sobreviver sob condições ruins e
como Lou é capaz de suportar qualquer coisa. Daí para frente o filme se acomoda
em fazer apenas isso, nos mostrar o calvário do personagem enquanto ele sofre
todo tipo de violência e humilhação. É como se o filme apontasse sua câmera e
nos dissesse "olhe lá, ele está sofrendo, se emocione", mas fica
difícil se engajar quando tudo que temos diante de nós é pedaço de carne sem
personalidade. Jolie consegue muito bem capturar seu sofrimento, mas nunca
penetra em seu íntimo
O ator Jack O'Connell traz a
intensidade que se espera de alguém em uma situação assim, principalmente pela
transformação física que passa para mostrar a dureza do cativeiro, mas não
consegue transpor as limitações do texto raso que tem.
Não ajuda também o fato de que todos
os personagens são igualmente vazios e unidimensionais. O militar japonês
Watanabe (Takamasa Ishihara) não passa de uma caricatura afetadíssima e
irritante do "carcereiro sádico" e os excessos na composição do
personagem diluem a aura de ameaça que se espera dele. O ator Garrett Hedlund
traz seu carisma habitual para oficial Fitzgerald, um personagem que apesar da
presença marcante, não sabemos nada a respeito, tampouco temos qualquer razão
para nutrir qualquer empatia por ele.
Tudo isso é piorado pelo modo
como o filme resolve martelar incessantemente sua mensagem de martírio e
sacrifício com uma profusão de metáforas cristãs que a todo momento comparam a
jornada do personagem com a paixão de Cristo, transformando o filme em um
tedioso jogo de "encontre a referência", como na cena em que Lou
carrega uma tora de madeira e a câmera se desloca para sua sombra, revelando
uma imagem que parece a de Jesus na cruz. Se a ideia era nos lembrar do
martírio de Cristo, melhor seria se Jolie encenasse a história do próprio ao
invés de inserir tantas referências óbvias e pouco sutis. Isso é piorado por
uma música demasiadamente intrusiva que se mostra mais interessada em forçar o
choro do que acrescentar alguma coisa à narrativa.
A fotografia é possivelmente uma
das poucas coisas que realmente funciona no filme, criando uma clara oposição
entre os ambientes cálidos de sua vida antes da guerra com as cores frias e
sombras opressivas de seu cativeiro. Apenas a beleza e plasticidade, no
entanto, não são suficientes para sustentar a obra.
Invencível se revela como uma narrativa
demasiadamente superficial e manipulativa, que nos mostra muito sobre o
sofrimento de um herói de guerra, sem nunca se preocupar em nos revelar nada
sobre quem ele era.
Nota: 4/10
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