
Penn
interpreta Jim Terrier, um ex-militar que trabalhou como mercenário durante a
guerra civil do Congo. Anos depois ele retorna ao país africano para realizar
trabalhos humanitários, mas seu passado o alcança quando homens invadem a ONG
na qual trabalha e tentam matá-lo. Acuado e sem saber quem lhe persegue, Jim
retorna para a Europa e busca o traiçoeiro Felix (Javier Bardem), o único que
pode saber o que está acontecendo.
A
trama é bastante genérica, investindo mais uma vez na figura do militar atormentado
por erros do passado e buscando reparação. Já vimos tudo isso antes e Penn não
ajuda a dar identidade a algo tão batido. Ele certamente demonstra físico de
herói de ação, mas seu protagonista é inócuo demais para nos engajar em sua
jornada. O mesmo pode ser dito do antagonista vivido por Javier Bardem que
investe em uma composição carregada de afetações e exageros, tornando seu
personagem uma figura mais aborrecida do que propriamente ameaçadora ou odiosa.
O
roteiro ainda tenta criar um mistério sobre quem está tentando matar Jim, mas é
tudo tão óbvio e previsível que qualquer um consegue perceber que está
relacionado ao assassinato cometido no início do filme. A tentativa de criar
uma reviravolta em cima disso se revela desastrosa, pois substitui um vilão que
já não era grande coisa por outro ainda menos convincente. Além disso a
história é cheia de furos e absurdos, como o fato do protagonista filmar
tranquilamente o briefing de uma
missão de assassinato secreta sem que nenhum de seus colegas se oponham ao
registro potencialmente incriminador. Do mesmo modo, é difícil de engolir o
embate climático do filme quando o vilão manda seus capangas um por um atrás do
herói ao invés de todos de vez, sendo que a esta altura ele já entendeu o quão
mortal ele pode ser. O pior, no entanto, são as sequelas de uma concussão que
só são sentidas pelo o personagem quando é conveniente para o roteiro, já que
durante boa parte do filme ele irá correr, lutar, atirar, apanhar e explodir
coisas sem que os sintomas se manifestem.
As
cenas de ação são bastante violentas, mas carecem de criatividade e empolgação.
O único momento realmente interessante é quando Jim escapa de um banheiro em
chamas e de resto temos apenas um amontoado de lutas e tiroteios burocráticos,
que falham em transmitir intensidade ou criar qualquer sensação de perigo. O
filme ainda tenta tratar da exploração da África pelas potências econômicas
mundiais, mas o faz de maneira tão superficial que pouco agrega ao que já foi
tratado em filmes melhores sobre a questão como O Jardineiro Fiel (2005), Diamante
de Sangue (2006) ou Hotel Ruanda
(2004). A verdade é que isso acaba tornando o filme inconsistente, já que ele é
tolo e absurdo demais para tratar satisfatoriamente de questões tão sérias, ao
mesmo tempo que esses momentos de denúncia incisiva não permitem que ele abrace
devidamente o exagero para ser uma bobagem divertida.
O
resultado é um meio termo vazio que não consegue nem fazer pensar e nem
divertir. Pelos nomes envolvidos era de se esperar uma aventura minimamente
apreciável, uma pena que este potencial seja desperdiçado com uma trama clichê,
personagens sem carisma e cenas de ação que não empolgam.
Nota:
4/10
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