
A trama é centrada em Carrie (Chloe Moretz) uma tímida e retraída adolescente de dezessete anos que descobre ter poderes telecinéticos. Sofrendo com a repressão de mãe (Julianne Moore) e a zombaria de suas colegas, ela se vê cada vez mais levada ao limite e a uma reação violenta.
O desenvolvimento da narrativa é bem similar à obra estrelada por Sissy Spacek e repete todos os momentos-chave do filme de 1976 sem grande novidade. Não chega a ser exatamente uma repetição completamente aborrecida, já que o filme é bastante competente em construir o clima de tensão crescente conforme vemos os planos das estudantes para humilhar Carrie enquanto a garota desenvolve cada vez mais seus poderes e mesmo eu conhecendo o original, fiquei apreensivo pelo que aconteceria quando a jovem sofresse uma humilhação que passaria dos limites.
Temos também um trabalho bastante competente de Chloe Moretz em estabelecer a personalidade frágil e insegura de Carrie, com sua fala trêmula e vacilante, postura curvada e cabeça constantemente baixa. Julianne Moore, por sua vez, está incrivelmente assustadora como a mãe da garota, uma mulher claramente delirante e desequilibrada que usa a religião de forma repressora e violenta para tentar manter a filha sob controle, recorrendo a castigos físicos e autoflagelação. O trabalho de Moore compensa pelo fraco desempenho da outra antagonista, a adolescente Chris (Portia Doubleday). Se inicialmente ela convence com sua construção de uma patricinha cruel e dissimulada, conforme o filme avança ela se entrega a trejeitos e dicção cada vez mais exagerados, transformando a garota em uma caricatura de psicopata.
Entretanto, o principal problema é que é difícil não ser tomado pela sensação de estar assistindo a algo tão igual ao original que o remake acaba não trazendo nenhum elemento que o faça se sustentar por si só. Algumas passagens, como o clímax, se beneficiam da evolução dos efeitos visuais, soando mais críveis, brutais e chocantes, mas é muito pouco para atrair qualquer um que tenha visto a obra de 1976.
Assim sendo, este novo Carrie: A Estranha pode ser uma maneira competente de fazer as novas gerações conhecerem esta interessante metáfora sobre a inadequação da adolescência e a necessidade de auto-afirmação dos jovens. No entanto, o filme acaba soando como uma oportunidade desperdiçada ao apenas repetir aquilo que já foi feito por Brian De Palma, sem arriscar fazer algo diferente com a história e suas personagens. O filme pode ser interessante para um público mais novo, mas aqueles que conhecem a fita estrelada por Sissy Spacek terão poucas razões para assisti-lo.
Nota: 5/10
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