
Com isso não quero dizer que o filme é uma peça ufanista estúpida de propaganda do “sonho americano”, longe disso. O diretor Steven Spielberg se esforça para traçar um retrato complexo dos últimos meses em que Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis) ocupou a presidência dos Estados Unidos e sua luta e estratagemas para encerrar a guerra de secessão e abolir a escravidão, mas apesar de sua direção classuda e competente, o filme nunca realmente se preocupa em nos envolver e nos engajar da luta daqueles personagens como se o fato de sabermos se tratar da história de Abraham Lincoln fosse o bastante para nos colocar dentro do filme e torcendo pelos personagens.
Isso deve ser verdade para o público norte americano, mas o resto mundo precisa de um pouco mais, na verdade os momentos e informações que poderiam engrandecer os personagens, são tratados com relativa displicência pelo filme. Entre esses momentos está aquele em que revela a motivação do congressista Thaddeus Stevens (Tommy Lee Jones) em apoiar a emenda da abolição, se mostrado antes poderia funcionar para atrair simpatia e engajamento, mas colocada nos últimos instantes do filme surge como uma tentativa tola de produzir momento de revelação e surpresa. O segundo é o assassinato de Lincoln cujo contexto não é explicado e o público (principalmente aquele fora dos Estados Unidos que desconhece os fatos) fica sem saber que a morte está diretamente ligada ao fim da guerra e da escravidão. Assim, um fato que ajudaria a dar um peso maior à narrativa e às ações do protagonista é usado apenas para tentar arrancar lágrimas do público.
A força do filme reside mesmo em Day-Lewis e seu trabalho como o presidente americano. Seu Lincoln é um homem cansado, de andar lento, como se estivesse se arrastando diante do peso que é carregar a nação durante dois momentos que podem redefini-la. Soma-se a isso sua postura curvada e olhar cabisbaixo que denunciam seu pesar e vulnerabilidade. Apesar da gravidade dos acontecimentos, Lincoln, com sua voz levemente rouca e uma dicção cuidadosa, ainda se engaja a contar casos e piadas quando julga necessário atrair e motivar sua equipe, evidenciando o carisma e a inteligência do personagem.
Ao trabalho de Day-Lewis soma-se a performance de Tommy Lee Jones como o idealista e pragmático Stevens, que se pronuncia de forma estratégica perante o congresso. É uma pena, entretanto que Sally Field não encontre o tom certo para a sua Sra. Lincoln soando exagerada e excessivamente melodramática, principalmente quando se confronta com a composição sóbria e minimalista de Daniel Day-Lewis, funcionando apenas na cena em que ela enquadra o congressista Stevens.
No fim das contas, Lincoln é um retrato interessante do ex-presidente americano, mas é essencialmente um filme direcionado ao seu público doméstico e é uma pena que a direção a direção competente de Spielberg seja igualmente fria.
Nota: 6/10
Ao trabalho de Day-Lewis soma-se a performance de Tommy Lee Jones como o idealista e pragmático Stevens, que se pronuncia de forma estratégica perante o congresso. É uma pena, entretanto que Sally Field não encontre o tom certo para a sua Sra. Lincoln soando exagerada e excessivamente melodramática, principalmente quando se confronta com a composição sóbria e minimalista de Daniel Day-Lewis, funcionando apenas na cena em que ela enquadra o congressista Stevens.
No fim das contas, Lincoln é um retrato interessante do ex-presidente americano, mas é essencialmente um filme direcionado ao seu público doméstico e é uma pena que a direção a direção competente de Spielberg seja igualmente fria.
Nota: 6/10
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