
A trama, entretanto, não cai refém de seu próprio formato e sempre que necessário recorre a outras fontes (sempre na forma de imagens captadas por outros personagens ou câmeras de vigilância) para mostrar eventos nos quais os protagonistas não estão presentes. O próprio formato da tela, mais estreita e portanto mais vertical assemelha-se ao de uma produção televisiva e ajuda a passar de vídeos caseiros. Por outro lado, todo o clima de documentário do cotidiano policial torna a trama bastante solta e apenas na proximidade do terceiro ato da projeção é possível vislumbrar um direcionamento para a narrativa.
A sensação de estarmos experimentando o dia a dia de parceiros de longa data é um aspecto muito bem explorado pelos diálogos e pelos atores cujo trabalho (improvisado ou não) consegue soar ao mesmo tempo carismático, divertido, em especial as piadas feitas por Mike, banal e verossímil. Na verdade, boa parte da tensão que há no terço final se deve ao cuidadoso investimento nos momentos de descontração e na vida pessoal dos protagonistas que contribui para que genuinamente nos importemos com seus destinos.
A ação, que é normalmente o calcanhar de Aquiles de produções do gênero, não compromete e a espacialidade e a movimentação das cenas são sempre bem estabelecidas e mesmo nos momentos que a câmera se movimenta ou treme em excesso, os acontecimentos jamais se tornam completamente incompreensíveis.
Marcados Para Morrer se revela, portanto, uma grata surpresa em sua mistura do gênero policial com a estética do falso documentário e se beneficia do uso dessa linguagem e da química entre seu elenco para retratar o cotidiano violento das ruas de Los Angeles.
Nota: 8/10
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