
Anos depois dos eventos do filme
anterior, a Ilha Nublar está ameaçada por uma erupção vulcânica. Preocupada com
o destino dos dinossauros que lá habitam, Claire (Bryce Dallas Howard) lidera
uma campanha para que o governo evacue os répteis, porque claro, nada melhor
que torrar o dinheiro do contribuinte para salvar criaturas que nem deveriam
existir e que causariam um imenso desequilíbrio ecológico para toda fauna e
flora do planeta caso fossem soltas na natureza, ameaçando todas as criaturas
vivas. Quando o governo logicamente nega o auxílio, Claire é abordada por Eli
Mills (Rafe Spall), que se apresenta como um ambientalista que visa preservar
os dinossauros e pede a ajuda dela em uma operação de resgate. Claire decide
pedir ajuda para Owen (Chris Pratt), já que ele é o único capaz de interagir
com a velociraptor Blue, mas chegando na ilha a dupla descobre que os planos de
Eli eram muito mais nefastos.
Igual como aconteceu em O Mundo Perdido, a missão ambientalista
era um engodo e Eli queria capturar os dinossauros, não para um novo parque,
mas para fazer experiências e vendê-los, porque criar um super dinossauro
assassino deu muito certo para todos no filme anterior né? Sério, o quão burras
são as pessoas desse universo, que em quase trinta anos ainda não aprenderam
que nada de bom nunca sai de tentar mexer com os dinossauros? Sim, a crítica da
soberba humana é um tema recorrente, mas isso já ficava evidente desde o
primeiro filme e as continuações subsequentes fizerem pouco para avançar essa
discussão, sem falar que depois de tanto tempo e com tantos eventos cheios de
fatalidades a conduta dos personagens já superou a soberba faz tempo e entrou
com os dois pés no campo da estupidez suicida.
Para além da trama reciclada, há
a questão da falta de consequência em relação aos eventos do filme anterior.
Uma reportagem no início menciona que a empresa responsável pelo parque pagou
quase 800 milhões em indenizações, mas é estranho que não sejam mencionadas
prisões, indiciamentos ou novas leis proibindo a criação de animais
geneticamente alterados. Claire, por exemplo, era a administradora do parque,
diretamente responsável pela criação do Indominus Rex e todo o desastre que se
sucedeu depois, era de se imaginar que ela ao menos fosse ser investigada ou
indiciada, mas aparentemente nada disso aconteceu. É o tipo de furo que poderia
ser resolvido com uma ou duas linhas de diálogo, bastava alguém mencionar que
ela foi absolvida em um julgamento e estaria tudo justificado, mas do jeito que
está parece displicência e falta de cuidado na construção do universo
ficcional.
Chris Pratt segue como um
carismático herói de ação com a personalidade blasé e cafajeste do aventureiro Owen e o afeto que ele tem pela
velociraptor Blue trouxe uma emoção que eu não esperava encontrar na jornada do
personagem. A relação romântica que ele tem com Claire, no entanto, continua
repetindo o mesmo clichê do casal que se detesta, mas se ama, do filme
anterior, sendo dispensável e sem brilho. Igualmente sem brilho são os vilões
interpretados por Rafe Spall e Toby Jones que nunca vão além do caricatural.
Ainda assim, o filme diverte não
só pelo carisma de Pratt, mas pela competência do diretor J.A Bayona
(responsável pelo ótimo Sete Minutos Depois da Meia Noite) em conduzir as cenas de ação. A fuga de Owen e Claire
da ilha em erupção, por exemplo, é cheia de tensão e adrenalina. A tensão
cresce em seu terço final com a apresentação do letal Indomiraptor e o Bayona
passa a conduzir tudo mais como um terror gótico do que um filme de aventura.
Um exemplo é a primeira vez que vemos o Indomiraptor, com luzes intensas e
eletricidade estalando a cena remete ao modo como é criado o monstro de
Frankenstein. Com habilidade Bayona joga com sombras e reflexos para tornar o
dinossauro uma presença quase que sobrenatural, um monstro que pode se revelar
em cada canto escuro da velha mansão na qual os personagens estão.
A direção de Bayona é auxiliada
pelos ótimos efeitos especiais que criam os dinossauros a partir de uma mistura
de animatrônicos e computação gráfica, gerando criaturas mais convincentes do
que as do filme anterior que se apoiava exclusivamente em efeitos digitais. O design sinistro do Indomiraptor, com
longos braços e sinuosas garras, contribui para que o vejamos como um
irrefreável bicho papão.
Não deixa de ser curioso que
apesar de reciclar tantas tramas dos filmes anteriores, o desfecho finalmente
consegue entregar algo que parece levar a franquia a rumos diferentes, mas é
mais uma promessa para filmes futuros do que uma grande ruptura que acontece ao
longo do filme em si. É um pouco decepcionante que foi preciso mais um filme
cheio de ideias repetidas para que finalmente se achasse algum novo direcionamento.
Há um certo paradoxo em Jurassic World: Reino Ameaçado. Ao mesmo
tempo em que deixa mais do que evidente o cansaço das fórmulas repetidas à
exaustão pela franquia, seu desfecho empolga com a apresentação de novas
possibilidades para esse universo. É inegável o senso de diversão e
encantamento oferecido pelo filme, mas já passou da hora de suas tramas
evoluírem.
Nota: 6/10
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