quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Crítica – Operação Overlord


Análise Crítica – Operação Overlord


Review – Operação Overlord
Ninguém sabia muita coisa sobre Operação Overlord quando o primeiro trailer foi lançado. As prévias mostravam um filme situado na Segunda Guerra Mundial com elementos de terror e sobrenatural. Mesmo com os trailers, era algo cercado de mistério e, sinceramente, não sabia o que pensar. Assistindo o filme, porém, encontrei uma competente mistura de O Resgate do Soldado Ryan (1998) e Resident Evil (2002) com pitadas dos recentes games da franquia Wolfenstein, que vai além de sua roupagem de filme B ao construir uma metáfora sobre o custo humano (e humanístico) da guerra.

A trama é relativamente simples: às vésperas do desembarque das tropas aliadas na Normandia, um grupamento de paraquedistas tem a missão de destruir uma torre de rádio para que as tropas tenham apoio aéreo. A missão começa com problemas, o avião é abatido e boa parte da tropa é morta, deixando um pequeno número de soldados para completar a missão. Entre eles está Boyce (Jovan Adepo), que descobre que os alemães estão fazendo misteriosas experiências no complexo militar no qual a torre está localizada.

O filme consegue fazer muito em termos de construção de suspense usando muito pouco. Se situando quase todo dentro de uma casa na vila francesa controlada pelos nazistas. Ainda assim há um constante e palpável senso de urgência e temor por conta da corrida contra o tempo para terminar a missão, do fato dos personagens estarem em imensa desvantagem em relação ao inimigo e pelo mistério do que realmente está acontecendo nos laboratórios nazistas. O design de som ajuda na atmosfera de suspense, seja sugerindo a constante presença de tropas ao redor da casa em que os personagens estão escondendo, seja sugerindo toda uma extensão de horrores dos laboratórios nazistas através dos gritos das cobaias/vítimas.


O filme não economiza na violência, mostrando sem reservas a brutalidade da guerra e as consequências sangrentas dos atos dos personagens. Ver a cabeça de alguém ser esmagada ao ponto de virar uma imensa poça de sangue, deixa evidente que aqueles atos afetarão o psicológico dos personagens. A fita também é hábil em criar imagens grotescas e criaturas tenebrosas, fruto dos experimentos nazistas, produzindo alguns bons sustos.

Os experimentos, provavelmente inspirados pelas perversas experiências reais do médico nazista Joseph Mengele, não só servem como desculpa para inserir zumbis em uma trama de Guerra, mas operam em um nível metafórico como um comentário sobre a desumanização que a guerra causa no ser humano. Ao conviver e praticar tantos atos constantes de violência, os soldados vão perdendo sua humanidade, se tornando mais criaturas, monstros (literal e metaforicamente nesse caso) do que pessoas. Não é à toa que os soldados que sobrevivem são aqueles que inicialmente foram criticados por sua “humanidade” ou “moleza”. É como se o ato de guerrear em si já denotasse nosso fracasso enquanto espécie racional.

O texto consegue nos engajar com os personagens à despeito da natureza formulaica deles. Temos em Boyce o jovem ingênuo que não está preparado para os horrores da guerra. O cabo Ford (Wyatt Russell) é o soldado embrutecido pelo combate, enquanto que Tibbet (John Magaro) é o sujeito durão com coração de ouro. O ator Pilou Asbaek, por sua vez, acaba fazendo uma versão alemã do seu sádico Euron Greyjoy de Games Of Thrones como o oficial nazista Wafner. Já vimos personagens assim em centenas de filmes de guerra, mas ao menos eles têm carisma o suficiente para que nos importemos com eles. Outro problema é que seu excessivo ufanismo estadunidense por vezes dilui as ponderações do narrativa sobre o impacto da guerra.

Transitando com fluidez entre diferentes gêneros, Operação Overlord entrega uma jornada tensa e sangrenta que reflete sobre a natureza humana diante dos horrores da guerra, ainda que ocasionalmente se prenda demais a convenções.

Nota: 7/10


Trailer

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