
Na trama, Elijah (Mamoudou Athie)
é um jovem que trabalha no restaurante popular do pai, Louis (Courtney B.
Vance), mas que sonha em se tornar um mestre sommelier, um especialista em
vinhos. Seu sonho o coloca em rota de colisão com o pai, que imaginava que
Elijah herdaria seus negócios, que estão na família há gerações. Os custos do
curso também deixam Elijah em dúvida se conseguirá ou não alcançar seu sonho.
É um conflito bem típico de
legado familiar versus traçar seu próprio caminho, assim como também traz o
elemento do popular versus erudito, ambas premissas bastante comuns dentro da
lógica do drama familiar hollywoodiano. Tudo é relativamente previsível, dos
encaminhamentos da jornada do protagonista, passando pelos conflitos e soluções
destes, é bem similar a produtos com as mesmas características. Tematicamente
também se encaixa em elementos que já vimos inúmeras vezes, falando sobre a
necessidade de acreditar em si mesmo ou seguir seus próprios sonhos, sem nada
muito diferente.
Seria um filme inane, esquecível
e sem personalidade se não fossem dois elementos: o universo dos sommeliers e o
elenco que forma o núcleo familiar principal. Sim, outros filmes, como Sideways: Entre Umas e Outras (2004), já
tinham nos mostrado um pouco desse mundo de avaliação de vinhos, mas não lembro
de outro produto que nos mostrou em detalhes a formação de um profissional
desse ramo. Da maneira como é mostrado aqui, é um treinamento exaustivo e
competitivo, quase como um Nascidos Para
Matar (1987) dos vinhos e é bem interessante ver como eles aprendem a
avaliar vinhos analisar suas características e serem capazes de dizer o tipo de
uva, clima e lugar onde foi produzido. Não sei até que ponto corresponde à
realidade da formação desses profissionais, mas independente disso, o texto
consegue fazer isso funcionar como drama.
A família é outro elemento que
ajuda a nos envolver na trama, mesmo quando o texto recorre a vários conflitos
batidos para esse tipo de história. Courtney B. Vance, Mamoudou Athie e Niecy
Nash são eficientes em nos convencer da dinâmica familiar de Louis, Elijah e
Sylvia, transmitindo um afeto e preocupação genuínas um com o outro. Apesar de
ter pouco tempo de tela, Niecy Nash consegue nos levar a nos importarmos com
Sylvia, mesmo quando a narrativa passa muito rápido pela subtrama envolvendo o
câncer da matriarca. Não fosse o trabalho de Nash, esse arco não teria impacto
algum pela velocidade e superficialidade com o qual o roteiro a trata.
Do mesmo modo, o trabalho de
Courtney B. Vance evidencia para nós que a dureza com a qual Louis trata
Elijah, não vem de um lugar de crueldade ou desinteresse, mas de um lugar de
afeto, de uma preocupação que Louis tem com o futuro do filho. Conforme a trama
se desenvolve, Vance e Athie conseguem extrair bons momentos de emoção do
fortalecimento do laço entre eles mesmo quando as soluções são previsíveis e
clichê.
Não é um filme extremamente
memorável, nem vai se arriscar a sair dos lugares comuns desse tipo de trama,
mas Notas de Rebeldia consegue nos
envolver por conta do carisma e afeto que constrói para seus personagens.
Nota: 6/10
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