
Na trama, Ellen Brody (Lorraine Gary),
a viúva do xerife Brody (Roy Scheider), protagonista do primeiro filme, começa a
ter sonhos envolvendo um tubarão e teoriza que um tubarão está vindo para
atacar ela e os filhos como vingança por Brody ter matado o tubarão do primeiro
filme. O sentimento dela ganha força quando o filho mais novo é morto por um
tubarão ao realizar reparos marítimos na costa de sua cidade. Ellen então avisa
o filho mais velho, que trabalha nas Bahamas como biólogo marinho, para ter
cuidado e viaja até a morada do filho para ficar de olho nele. Logicamente, um
tubarão, o mesmo que teria matado o filho mais novo, aparece nas Bahamas.
Poderia render até uma boa trama
sobre trauma, sobre a impossibilidade de desapegar de um medo ou paranoia causado
por uma situação traumática se houvesse uma reviravolta que mostrasse que o
primeiro filho dela não morreu de um ataque de tubarão ou qualquer coisa assim
que fizesse Ellen entender que se entregava a um temor sem sentido. Do jeito
que está, no entanto, como uma trama de vingança de tubarão, o filme é bem
estúpido. Afinal, tubarões são animais irracionais, que agem por instinto e
vingança é um construto relativamente humano. Mais que isso, como essa vingança
aconteceria? O tubarão desse filme é um parente (filho, irmão, sobrinho) do
animal do primeiro filme? Como ele sabe quem matou o parente dele e onde estão
todos os membros da família Brody? Porque essa vingança demora tantos anos?
São muitas perguntas e nenhuma
delas faz muito sentido. Além disso o filme é desprovido de tensão, suspense ou
qualquer ritmo de progressão narrativa, encadeando cenas aleatórias das
pesquisas marinhas de Michael Brody (Lance Guest), com Ellen vagando por festas
e cassinos das Bahamas enquanto paquera o piloto Hoagie (Michael Caine, que
inexplicavelmente está nessa bomba). Os pouquíssimos momentos em que algum
resquício de tensão é encontrada acontece nos momentos em que o tema musical de
John Williams para o filme original é utilizado. Ainda assim o efeito acontece
mais pela memória afetiva do primeiro filme que a canção convoca, já que aqui,
ao invés dos planos longos e da dilatação do tempo e da tensão feita por
Spielberg, o filme investe em sustos súbitos bobos.
Não ajuda que o tubarão pareça um
grande brinquedo de borracha barata. Apesar de ter sido feito mais de uma
década depois do filme do Spielberg, o tubarão desse quarto filme parece muito
mais tosco do que o do primeiro. As cenas de ataque do tubarão, como quando a
criatura quase devora Hoagie na cena em que o piloto pouca seu avião na água,
são tão absurdas e exageradas que mais produzem risos do que medo ou suspense, principalmente quando o tubarão inexplicavelmente começa a rugir como um leão durante o clímax.
Na verdade, Tubarão 4: A Vingança mais parece uma paródia de Tubarão (1975) do que um filme que faz parte do mesmo universo
dele.
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