
Também existe para mandar toda
essa galera em uma viagem de férias a ser posta na conta do estúdio financiando
a produção (nesse caso a Netflix), inserindo arbitrariamente na trama uma
viagem para algum lugar paradisíaco ou exótico, tal como já tinha acontecido em
Esposa de Mentirinha (2011), Juntos e Misturados (2014), Zerando a Vida (2016), Mistério no Mediterrâneo (2019) ou mesmo
o cruzeiro inserido sem qualquer motivo em Cada
Um Tem a Gêmea que Merece (2011). Enfim, como muitas produções de Sandler,
existe para que o elenco se divirta sem qualquer esforço de divertir sua
audiência.
Na trama, Tim (David Spade)
aparentemente conhece a mulher dos seus sonhos, Missy (Molly Sims) em um
aeroporto, mas como ambos tem voos a pegar trocam telefones para conversarem.
Quando recebe uma mensagem de Missy, Tim desenvolve a conversa e tudo flui bem
ao ponto que resolve convidá-la para que o acompanhe em uma viagem de trabalho
que vai no Havaí. O problema é que ele estava conversando com outra Missy
(Lauren Lapkus), uma mulher grudenta e histérica que ele conheceu em um
encontro às cegas dias atrás. Agora ele precisará lidar com essa estranha e
tomar cuidado para que ela não estrague sua chance de bajular o chefe e obter uma
promoção.
É óbvio que Tim irá eventualmente
se apaixonar pela Missy “errada” e deixar de lado a mulher idealizada que
conheceu antes, tal qual aconteceu com Adam Sandler em Esposa de Mentirinha, que também envolvia uma arbitrária viagem ao
Havaí. O problema aqui, é que essa guinada nunca é plenamente justificada pelo
roteiro, com Missy magicamente deixando de ser uma louca histérica alcoólatra
que só dá vexame, para uma mulher centrada infalível e capaz de resolver todos
os problemas das pessoas ao seu redor.
Lauren Lapkus faz o que pode com
a personagem, tentando ao máximo extrair alguma graça de Missy, mas fica presa
a um humor físico óbvio, situações pouco criativas e piadas de gosto duvidoso
que tentam fazer graça com situações de abuso sexual ou suicídio. A piada com
suicídio inclusive cria uma contradição com o fato dela ser uma terapeuta
aparentemente competente. Já Spade, por outro lado, sequer demonstra se esforçar,
parecendo entediado em cena e se limitando a tentar reagir ao que acontece ao
seu redor.
O resto do elenco é composto por
personagens de uma piada só, nenhuma delas engraçada. O dono de barco
interpretado por Rob Schneider tem como único traço o fato da mão ter sido
mutilada por um tubarão, ficando em uma eterna posição de hang loose. Jackie Sandler é a chefe megera de Tim que tenta
sabotar a aproximação dele com o dono da empresa, mas é tão inexpressiva que
não consegue funcionar como antagonista ou mesmo em momentos de comicidade.
Aliás, o filme inteiro é incapaz
de criar qualquer situação de conflito, resolvendo tudo muito fácil e muito
rápido. Quando a Missy “certa” chega no resort, imaginamos que Tim irá ao menos
ficar dividido, mas não, ele rapidamente a dispensa e a mulher parece aceitar
tranquilamente o fato de ter viajado horas de avião a troco de nada. Ora, se a
ida dela ao resort não ia ter impacto algum na trama, porque inserir essa cena?
Há apenas um único momento em que
dei risada, a última cena quando Tim e Missy se beijam em um close acompanhado
de uma música romântica, seguido de um rápido corte para um plano aberto e sem
a música, como que para fazer graça em cima dos clichês exagerados de filmes
românticos. É o único momento dotado de um mínimo esforço criativo, mas,
logicamente, não salva ou redime os noventa minutos de pura preguiça que
antecederam tudo isso.
A Missy Errada é uma daquelas comédias em que o elenco
provavelmente se divertiu fazendo, mas que esqueceram que o público também
tinha que se divertir.
Nota: 2/10
Trailer
Nenhum comentário:
Postar um comentário