A trama se passa no século XVIII. O rei Luís XIV (Pierce Brosnan) volta a Paris depois de uma guerra custosa que coloca parte da população contra ele. Obcecado com a ideia de imortalidade, o rei descobre que seu desejo pode ser alcançado se roubar a força vital de uma sereia e despacha sua marinha em busca da criatura. Ao mesmo tempo, ele tenta se aproximar de Marie-Josephe (Kaya Scodelario), a filha que manteve em segredo do mundo e até dela mesma. Usando a ocorrência de um eclipse, o rei manda trazer Marie a Paris sob o pretexto que ela toque em uma cerimônia, mas na verdade deseja revelar à jovem que é seu pai.
Como é possível perceber por essa breve sinopse, o filme mistura fantasia, intriga palaciana e drama familiar de uma maneira que não exatamente produz um trânsito orgânico entre esses tipos de narrativa. O resultado é uma colagem de cenas que só parecem frouxamente conectadas umas nas outras pelo fato de vermos os mesmos personagens, porque nunca tem qualquer ponderação ou intenção por trás das situações que cria.
Apesar de estabelecer no início do filme o quanto Luís XIV estava sob ameaça, isso logo desaparece da narrativa e ao longo da projeção nunca temos de fato essa sensação de que o rei estava acuado ou correndo contra o tempo. Do mesmo modo, o fato dele trazer uma sereia viva para a corte (ainda que só seu círculo interno saiba) parece não ter muita repercussão. Personagens se defrontam com algo que desafia completamente a visão de mundo da época e reagem como se não fosse nada. Mesmo em padres ou cientistas, a visão da criatura não lhes causa qualquer perturbação, o que é estranho.
Do mesmo modo a tentativa do rei em forçar o casamento de Marie com um nobre rico para tentar equilibrar as contas do reino é algo que nunca chega a criar algum grau de drama porque a narrativa falha em criar um senso de urgência quanto a necessidade de casamento (nunca temos a impressão de que o reino está falido) ou a de que haverá alguma consequência severa caso ela não aceite.
Incomoda também que os diálogos sejam excessivamente expositivos com os personagens o tempo todo dizendo como se sentem ao invés de simplesmente deixar que esses sentimentos transpareçam. Isso dá a impressão de que muitos desenvolvimentos, como a relação entre Marie e o capitão Yves (Benjamin Walker), acontece simplesmente que o roteiro exige e precisa colocar os personagens ou narrações em off para tentar explicar esses desenvolvimentos inorgânicos. A reparação do relacionamento entre Marie e o pai no fim, por sinal, não soa merecida, já que o arrependimento do rei não é devidamente construído.
Kaya Scodelario até tenta fazer de Marie uma heroína sincera, cujo otimismo em relação às pessoas contagia aqueles ao seu redor, mas é sabotada por um texto inane que não lhe dá muito que fazer. Pierce Brosnan e Benjamin Walker parecem estar no piloto automático, variando entre a apatia e o histrionismo. Somando isso ao texto inane que não dá a esses personagens nada de muito interessante, o resultado é que não conseguimos aderir a nenhum deles.
A Filha do Rei parece mais uma colagem aleatória de cenas do que
uma narrativa coesa, falhando em dar ao espectador qualquer coisa para
despertar seu interesse.
Nota: 2/10
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