sexta-feira, 21 de março de 2025

Crítica – Entre Montanhas

 

Análise Crítica – Entre Montanhas

Review – Entre Montanhas
Estrelado por Miles Teller e Anya Taylor-Joy, Entre Montanhas é mais uma daquelas produções de streaming que parece ter sido pensada por algum algoritmo. Pega elementos de diferentes gêneros que atraem segmentos distintos da audiência, combina eles em um pacote que parece feito para maximizar o alcance de público e justificar o orçamento, mas o resultado final não passa de uma colcha de retalhos sem alma.

Romance à distância

Na trama, o atirador de elite Levi (Miles Teller) recebe a missão de vigiar uma misteriosa fenda entre montanhas. Seu predecessor não te dá muitas informações além de que da fenda saem seres bizarros chamados de “homens ocos” cujo avanço deve ser contido. Do outro lado da fenda a atiradora Drasa (Anya Taylor-Joy), também vigia o local. Apesar da comunicação entre os atiradores ser proibida, a solidão leva os dois a interagirem e começam a se aproximar. Além de se apaixonarem, eles também decidem desvendar o mistério da fenda.

É estranho que apesar de proibirem os atiradores de se comunicarem (já que eles seriam de países não aliados entre si) as duas torres de vigilância estão repletas de jogos e outras atividades que foram pensadas para duas pessoas. Na verdade, a trama toda tem elementos que contrariam a lógica que ela própria estabelece. Se a corporação que está pesquisando a fenda queria se manter em segredo, porque fazer seus drones entrarem e saírem da fenda em momentos e espaços que os vigias estariam de olho para serem vistos por eles?

Isso seria perdoável se ao menos conseguisse criar algum conflito envolvente, mas não é o caso. Por mais que Teller e Joy tenham química, a dupla esbarra em personagens que não vão além do clichê do soldado traumatizado por uma vida de matança e, com isso, todo o romance entre eles soa inane.

O segredo do abismo

As coisas não melhoram quando o casal inevitavelmente vai parar dentro da fenda. Embora uma ou outra criatura tenha visuais que chamam atenção pela bizarrice, no geral falta estranhamento ou psicodelia às paisagens deturpadas e monocromáticas exploradas pelos dois atiradores, carecendo do sentimento de um horror desconhecido e esquisito como em Aniquilação (2018).

As revelações sobre o que é a fenda também não fazem nada para tornar o filme mais interessante, retornando aos lugares comuns de soberba da ciência e ganância corporativa. Mesmo as cenas de ação não conseguem empolgar ou criar um senso de urgência e todas as citações à poesia de T.S Eliot não vão além de uma referencialidade inane. É uma pena que dois atores tão talentosos e que se esforçam para fazer a trama funcionar sejam desperdiçados em um material que não é mais do que uma colagem pouco coesa de ideias e gêneros diversos.

 

Nota: 4/10


Trailer

Nenhum comentário: