Andando e atirando
A narrativa se passa em um futuro próximo no qual um cientista criou uma nova forma de energia limpa que pode resolver a crise energética e climática que toma o planeta. Dois dias depois do anúncio da nova tecnologia o cientista é sequestrado por um grupo que deseja usar sua célula de energia para criar uma nova super-arma e o soldado Vincent é despachado para investigar e resgatar o cientista.
É uma trama simples que serve para situar a ação, embora não ofereça nada de muito memorável. O foco é na jogabilidade, especialmente nos tiroteios, algo que o game executa muito bem. Cada sala do mapa interconectado é tomada por inimigos e veículos que atiram em Vincent de todas as direções, obrigando o jogador a estar sempre em movimento e atento aos múltiplos projéteis. Felizmente o herói conta com um amplo arsenal à sua disposição, entre pistolas, armas especiais com munição limitada e também itens arremessáveis. Ao longo da aventura encontramos várias armas para cada um desses tipos de equipamento e jogo faz sentir cada arma soar única, com certas pistolas sendo mais lentas, mas mais poderosas enquanto outras priorizam cadência de tiro e algumas tem propriedades especiais como tiros que perfuram escudos e armaduras.
Entre as armas especiais temos desde fuzis e escopetas até lança-chamas ou lançadores de granadas, com algumas delas sendo necessárias para a exploração, como o fuzil de precisão que destrói certos objetos à longa distância ou a arma congelante que pode ser usada para criar plataformas. Ocasionalmente algumas áreas também oferecem veículos que o jogador pode usar, nos moldes de Metal Slug.
Entre os itens arremessáveis temos desde facas de arremesso, passando por granadas e minas terrestres. Saber usar cada equipamento é essencial para sobreviver à variedade de inimigos e principalmente os chefões, que normalmente são veículos enormes, com ataques variados e que cobrem boa parte da arena causando dano alto. Os chefes são bem desafiadores e requerem domínio de seus padrões de ataque para serem derrotados, principalmente nas etapas mais avançadas do jogo. Em muitos desses chefes próximos ao fim cheguei a morrer várias vezes.
A guerra nunca muda
Se o combate ótimo, a exploração, por outro lado não oferece muito desafio. Navegar pelos mapas é bem simples e mesmo as armadilhas ou perigos ambientais exigem muito pouco em termos de habilidades de plataforma já que os espaços são simples em seu level design. Como a exploração é algo fundamental em um metroidvania, há pouca satisfação ou desafio a ser extraído desse aspecto com exceção de algumas salas secretas que requerem mais do jogador.
Diferente do que acontece em alguns metroidvanias, o protagonista não sobe de nível, com sua progressão acontecendo a partir da obtenção de novas armas e equipamentos, que podem ser encontrados no mapa ou comprados em lojas, além de upgrades para a vida e a munição de Vincent. Assim, é realmente necessário dominar as habilidades e equipamentos de Vincent já que não há a possibilidade de simplesmente ficar subindo de nível ao ponto que seus atributos altos trivializem os inimigos.
O jogo conta com uma bela pixel art que remete à franquia Metal Slug e aos detalhados gráficos 2D do Neo Geo. A direção de arte, por outro lado, não faz muito mais do que construir ambientes e sprites de personagem que remetem a games de outrora, sem, no entanto, desenvolver um estilo ou personalidade própria. Isso faz os visuais do game soarem apenas como uma derivação de algo que já vimos antes ao invés de usar essas referências para criar um projeto artístico próprio como fez o recente Blade Chimera, que remete a games como Castlevania Symphony of the Night e parte disso para criar um universo cyberpunk sobrenatural bastante singular.
O combate, com sua variedade e
senso de desafio, é o que eleva Guns of
Fury, já que a exploração e o visual, embora competentes, não tem nada de
muito marcante.
Nota: 7/10
Trailer
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