Inimigo Íntimo
A trama coloca Reacher (Alan Ritchson) no encalço de Xavier Quinn (Brian Tee), um criminoso que ele pensou ter eliminado em seus tempos de exército. A caçada o coloca no meio de uma operação liderada pela agente federal Susan Duffy (Sonya Cassidy) que investiga a ligação de um poderoso empresário, Beck (Anthony Michael Hall), com um esquema de contrabando que pode ser liderado por Quinn. Sem escolha, Reacher aceita colaborar com a investigação e se infiltra na organização de Beck, se tornando segurança do filho do empresário, Richard (Johnny Berchtold).
A premissa dessa temporada ao menos mexe um pouco na fórmula dos dois anos anteriores que consistia de Reacher ou algum aliado seu sendo acusado injustamente de um crime obrigando o investigador a agir. Com ele infiltrado em uma organização criminosa o suspense se constrói nas tensões dele manter seu disfarce de pé ao mesmo tempo em que mina as operações de Beck e Quinn. Isso gera vários momentos de tensão conforme ele precisa incriminar outros membros da gangue por seus atos de sabotagem não só para manter as suspeitas longe de si, mas também para ganhar a confiança de Beck e subir nessa investigação.
Beck, por sinal, é uma figura interessante por ser simultaneamente vítima e algoz. Ele é um traficante de armas e empresário implacável que lucra com a morte de outros e não parece ter muito peso na consciência com isso, mas simultaneamente ele é um refém de Quinn, que mantem Beck trabalhando para ele sob a ameaça de matar Richard ou usar Beck como um bode expiatório para suas operações.
À sombra do colosso
Além de Beck e do escorregadio Quinn, Reacher encontra outro antagonista em Paulie (Olivier Richters), chefe da segurança de Beck, mas que responde a Quinn e mantem Beck na linha. Com dois metros e dezoito de altura o ator holandês Olivier Richters faz o Reacher de Alan Ritchson parecer alguém de estatura mediana apesar dele ter mais de um metro e noventa. É a primeira vez na série que o protagonista, acostumado a ser o maior no recinto, encontra alguém mais fisicamente impositivo que ele, lembrando a máxima do jedi Qui-Gon Jinn de que “sempre há um peixe maior”.
Ter um oponente como Paulie representa um novo desafio para Reacher, que precisa usar sua astúcia ao invés de confiar apenas na força bruta para superar o novo inimigo. A luta entre Reacher e Paulie no final da temporada é uma das mais intensas até aqui, se estendendo através de vários ambientes da mansão de Beck, mostrando a força e resistência dos dois lutadores. Como de costume, a série continua a apresentar cenas de ação bastante competentes que ressaltam a eficiência brutal de seus personagens, como no momento em que Reacher elimina um grupo de perseguidores numa floresta noturna usando furtividade ou a reação rápida de Neagley (Maria Sten) ao ter seu escritório invadido por homens armados, usando o espaço ao seu favor para dispersar seus atacantes e emboscá-los.
Como em outras temporadas, a série aponta com certo humor para o estilo de vida nômade de Reacher, como no estranhamento que ele exibe ao ganhar roupas totalmente novas ao invés das peças compradas em brechós que ele normalmente usa. Novamente a narrativa pondera como sua vida de “mendigo justiceiro” é fruto de seus traumas e perdas passadas e, como de costume, não se aprofunda muito em analisar esses aspectos de seu protagonista.
Ainda assim, a terceira temporada
de Reacher segue funcionando dentro
do que se propõe, entregando uma competente trama de ação e suspense ancorada
por personagens carismáticos ainda que nem explore suas várias facetas.
Nota: 7/10
Trailer
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