Terra de ninguém
É um documentário feito sobre e na urgência da situação, com imagens sendo captadas no momento que as tropas chegam para remover as pessoas, derrubar as casas com resultados muitas vezes trágicos de moradores desarmados que protestam a situação sendo baleados pelas tropas. As imagens, muitas vezes tremidas, muitas vezes distantes ou não devidamente enquadradas são um reflexo dessa urgência e comunicam sobre as condições sob as quais o filme foi realizado.
É necessário retratar a situação e nem sempre é possível planejar essa filmagem ou mover a câmera livremente pelos espaços já que as tropas que chegam tentam impedir de filmar, então os realizadores Basel Adra e Yuval Abraham filmam do jeito que dá, incorporando a imperfeição e sujeira das imagens na estética da produção, usando-as para mostrar o caos, o medo e a insegurança sob as quais essas pessoas vivem.
Quando não está retratando esses momentos de tensão, o filme retrata o cotidiano da vila e como aquelas pessoas tentam continuar vivendo a despeito da opressão contínua sob a qual se encontram, levando seus pertences para cavernas e adaptando esses espaços como moradia enquanto tentam reconstruir secretamente suas casas à noite.
Conflito longevo
Como o filme está bem focado nos eventos dos últimos anos na região, ele se detêm pouco sobre o contexto mais amplo da ocupação da Palestina. No início a narração de Basel explica como os pais dele já eram ativistas e como um processo sobre a posse daquelas terras se estendeu por 22 anos nas cortes israelenses até a decisão definitiva de que as terras seriam ocupadas por tropas de Israel e seriam usadas como campo de treinamento. É um resumo muito sintético e quem não está familiarizado com toda a discussão sobre a ocupação da região e a falta de direitos da população palestina por conta de seu território não ser reconhecido como país não vai ter a plena dimensão dessas disputas.
As conversas entre o palestino Basel e o israelense Yuval mostram as diferenças que os dois têm no modo como veem o ativismo pela região. Tendo crescido ali e visto a dificuldade de conseguir resultados positivos, Basel é mais desencantado e tem uma visão mais de longo prazo a respeito da possibilidade de mudança enquanto que Yuval, talvez por estar ali a menos tempo, ainda tem uma visão de que basta uma reportagem realmente chamar a atenção para que as coisas mudem. Ocasionalmente o filme mostra entrevistas de Yuval na mídia israelense na qual ele tenta defender seus pontos de vista sobre a importância de uma Palestina livre e independente apenas para ser tratado como um traidor por seus interlocutores é outra instância na qual o filme tenta apontar para um contexto maior, o das disputas internas dentro de Israel sobre como lidar com a questão, apenas para passar por ele de maneira muito passageira.
É, porém, nas imagens da
devastação presente que Sem Chão encontra
sua força, fazendo uma importante denúncia da violência cometida contra a
população civil palestina e das condições desumanas sob as quais são
submetidos.
Nota: 7/10
Trailer
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