
A trama é centrada em Eliezer (Shlomo Bar-Aba) e Uriel Shkolnik (Lior Ashkenazi), pai e filho respectivamente, ambos estudiosos do Talmude, mas que ocupam posições distintas no universo acadêmico. Eliezer é praticamente um pária, nunca teve muito reconhecimento por sua extensa pesquisa e se ressente do meio, que critica por produzir estudos cada vez mais superficiais. Seu maior feito é ter sido citado em uma nota de rodapé no livro de um importante pesquisador do Talmude. Seu filho, por outro lado, é uma estrela em ascensão, autor de diversos livros, alvo de elogios e bajulação de outros pesquisadores e colecionando vários prêmios e honrarias ao longo de sua trajetória. A disputa entre os dois se acirra quando Eliezer recebe por engano um importante prêmio, reacendendo velhas mágoas e discordâncias.
O filme apresenta algumas opções estilísticas bastante interessantes, como a montagem que reproduz a passagem de slides em um velho retroprojetor ou a música que parece sempre adicionar um certo sarcasmo às cenas. Os enquadramentos ajudam a demonstrar e contrapor o status dos dois personagens como vemos na cena da festa no início do filme. Eliezer é enquadrado no centro, sozinho e enfezado, com um enorme espaço vazio ao seu redor, enquanto que tomada seguinte mostra Uriel enquadrado da mesma forma, mas com uma quantidade de pessoas ao seu redor que o parabenizam pela recente honraria e riem de todos os seus comentários espirituosos.