Fazer um filme baseado em uma
tragédia (ou prevenção desta, como é o caso aqui) real é sempre uma faca de
dois gumes. Por um lado o interesse que esse tipo de história desperta é, em
certa medida, uma garantia de público. Por outro, sempre há o risco de se
descambar para um maniqueísmo simplório ou de se pesar a mão no ufanismo e no
drama (como o recente
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo). Felizmente o veterano Clint Eastwood evita esses
problemas neste
Sully: O Herói do Rio
Hudson.
O filme acompanha o piloto
Chesley "Sully" Sullemberger (Tom Hanks), que se tornou famoso por
conseguir aterrissar um avião cheio de passageiros no Rio Hudson em Nova Iorque
e salvar todos à bordo. Depois dos eventos, as ações de Sully e seu copiloto,
Jeff Skiles (Aaron Eckhart), são postas em questão pelo comitê governamental
responsável por investigar o caso, levantando a possibilidade de que suas ações
tenham posto todos diante de um risco desnecessário.
O roteiro é esperto ao começar
com Sully em seu hotel, já depois do acidente. O pouso forçado é um evento
extremamente climático e impactante para ser mostrado já de início, quando o
público ainda está "frio" seria desperdiçar a cena. Do mesmo modo,
começar o filme no antes para culminar na aterrissagem provavelmente renderia
algo pouco interessante e arrastado. O foco é menos na reconstituição da
catástrofe e mais no modo como Sully lida com isso tudo. Do sentimento de
sufocamento com a constante atenção (ou seria assédio?) midiático, ilustrado
pelos constantes closes em seu rosto,
e de sua inadequação ao status de
herói, passando por suas dúvidas e inseguranças em relação às suas ações dentro
do avião.