segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Crítica – O Peso do Passado


Análise Crítica – O Peso do Passado


Review – O Peso do Passado
O Peso do Passado é daqueles filmes que seria bastante esquecível se não fosse protagonizado por uma ótima atriz. O filme mais recente da diretora Karyn Kusama, responsável pelo excelente O Convite (2016), não tem nada que já não tenhamos visto em outros dramas criminais e se apoia quase que exclusivamente no trabalho de Nicole Kidman.

Na trama, a detetive Erin Bell (Nicole Kidman) encontra um cadáver não identificado que parece trazer em si pistas que o ligam a um caso antigo de Erin e que deixou marcas profundas na policial. Ao perceber que finalmente pode ser capaz de encerrar a investigação que a assombra por tanto tempo, Erin inicia uma desesperada e inconsequente corrida contra o tempo para deter o criminoso que ela deixou escapar no passado.

É uma típica história da policial devastada por um trauma do passado e desesperada para tentar se redimir dos problemas. A maquiagem ajuda a dar à protagonista o aspecto de uma pessoa mal cuidada, que não dorme ou se alimenta direita há anos, mas é o trabalho de Kidman que convence da degradação interna de Erin. Com um olhar constantemente cansado e desiludido, um caminhar arrastado e uma fala rouca, a sensação é que estamos praticamente diante de uma zumbi, uma morta-viva, alguém que literal e metaforicamente se tornou um mero espectro de si mesma.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Crítica - Titãs: 1ª Temporada

Análise Crítica - Titãs: 1ª Temporada


Review - Titãs: 1ª Temporada
O primeiro trailer de Titãs não me deixou nem um pouco interessado na série. Assim como os recentes filmes do Zack Snyder no universo DC, a prévia parecia confundir a exibição de violência e sombras com sinônimo de maturidade quando violência ou palavrões por si só não tornam nada complexo ou maduro. Felizmente o produto final não chega a ser o que a divulgação dava a entender e esta primeira temporada é razoavelmente aproveitável.

A temporada começa com Dick Grayson (Brenton Thwaites), agora um policial, chegando à cidade de Detroit e tendo que lidar com o seu afastamento de Bruce Wayne/Batman, assim como a possibilidade de deixar o manto de Robin. Enquanto isso, a jovem Rachel (Teagan Croft) tem dificuldade em controlar seus recém descobertos poderes e começa a ser caçada por um estranho culto. Ela começa a ter visões envolvendo Dick e pensa que ele pode ajuda-la. Ao mesmo tempo, Kory Anders (Anna Diop) acorda de um acidente de carro sem memória de quem é e a única coisa que tem consigo é uma foto de Rachel, assim ela tenta encontrar a garota na esperança de descobrir sua própria identidade.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Crítica - A Esposa


Análise Crítica - A Esposa


Review Crítica - A Esposa
É interessante como um filme com tantos diálogos tão calmos e tantos momentos de silêncio possa trazer consigo uma quantidade enorme de emoções e conflitos que vão aos poucos chegando ao ponto de ebulição. Muito disso vem do trabalho de Glenn Close, que é o centro emocional e narrativo deste A Esposa.

A trama acompanha o casal Joe (Jonathan Pryce) e Joan (Glenn Close) que viaja à Suécia para que Joe, um renomado escritor, receba o Prêmio Nobel de Literatura por conta de suas obras. Durante a viagem Joan nada mais é que um adereço acompanhando o marido, com pessoas vindo cumprimentá-lo e ignorando-a por completo e Joe muitas vezes falando em nome dela para seus interlocutores. Aos poucos vamos descobrindo que o silêncio dela durante o evento tem outras razões para o fato de ser uma esposa que viveu dedicada ao marido e existe apenas para apoiá-lo.

A trama vai mostrando como o mundo da arte é dominado por homens, seja na produção artística, na direção das editoras e curadorias, ou mesmo na crítica de arte (e ainda hoje a crítica é um espaço majoritariamente masculino). Assim, mesmo uma escritora de talento, como é o caso de Joan em sua juventude, tem dificuldade de penetrar ou ser levada à sério nesses ambientes dominados por homens em todas as posições.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Crítica – Máquinas Mortais


Análise Crítica – Máquinas Mortais


Review Crítica – Máquinas MortaisQuando escrevi sobre o péssimo Mentes Sombrias (2018) falei sobre como o subgênero da “distopia adolescente” já estava desgastado e parecia não dar sinais de renovação. Eis que chega aos cinemas Máquinas Mortais, mais uma aventura jovem baseada em uma obra literária sobre um mundo distópico, dessa vez há o nome de Peter Jackson, responsável pelas trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit, na produção e no roteiro, mas nem mesmo Jackson consegue resgatar esse filão das suas estruturas cansadas e repetitivas, fazendo de Máquinas Mortais mais uma distopia genérica.

A trama se passa em futuro no qual a humanidade foi quase que inteiramente dizimada e as poucas cidades que restaram vagam o mundo como fortalezas móveis em busca de recursos que estão cada vez mais escassos, destruindo umas as outras para se manterem funcionando. Em meio à tudo isso está Hester Shaw (Hera Hilmar), uma jovem misteriosa que invade a cidade móvel de Londres para assassinar o cientista Thaddeus Valentine (Hugo Weaving) para vingar a morte da mãe.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Crítica – Assunto de Família


Análise Crítica – Assunto de Família


Review – Assunto de Família
Dizer que Assunto de Família é uma espécie de drama sobre uma família de criminosos pode, talvez, dar uma impressão errada sobre o que ele é. Afinal, quando falamos de dramas sobre famílias criminosas imediatamente imaginamos histórias sobre máfia e sindicatos criminosos, mas o filme de Hirokazu Kore-eda é menos sobre crime ou poder e mais sobre os laços que unem ou separam a unidade da família protagonista.

O casal Osamu (Franky Lilly) e Nobuyo (Ando Sakura) vive em uma pequena casa junto com o filho Shota (Jyo Kairi), a irmã mais jovem de Nobuyo, Aki (Matsuoka Mayu), e a avó cuja pensão parece ser o principal sustento da família. As relações entre eles não ficam claras desde o início, deixando algumas dúvidas se eles são parentes de sangue, de criação ou consideração, mas é justamente sobre a natureza implícita dessas relações e os sentimentos não externados pelos personagens que muitos dos conflitos vão emergir.

Além da pensão da avó, muito do sustento da família vem de pequenos furtos. Nobuyo rouba itens de seu trabalho enquanto que Osamu e Shota roubam mercadorias em lojas e mercados. A natureza acumuladora dos personagens é refletida na própria casa, cheia de caixas, objetos, brinquedos e todo tipo de tralha empilhada por todos os cantos, reduzindo ainda mais o já diminuto espaço do lugar. A família se expande quando o casal encontra a menina Juri (Sasaki Miyu) abandonada na frente da residência deles e Nobuyo decide levá-la para casa.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Crítica – Lizzie


Análise Crítica – Lizzie


Review – Lizzie
Em 1892 o pai e a madrasta de Lizzie Borden foram brutalmente assassinados a machadadas. As suspeitas recaíram sobre Lizzie e a empregada, Bridget Sullivan, as únicas duas pessoas na casa, mas ninguém foi preso e o crime nunca foi resolvido, ficando no imaginário popular da cultura dos Estados Unidos.

O caso já rendeu vários filmes, livros e séries de televisão que tentavam entender o que aconteceu e inspiraram tantas outras obras como Alias Grace da escritora Margaret Atwood (autora de O Conto da Aia) que tinha uma premissa bem similar aos eventos reais e foi transformada em minissérie pela Netflix. Este Lizzie é a tentativa mais recente de examinar o caso e imaginar o que aconteceu, mas tem pouco a dizer que já não tenha sido explorado antes.

Na trama, Lizzie (Chloe Sevigny) é uma jovem mulher pertencente a uma família de alta classe que percebe que o tio está tentando tomar os negócios do pai que, por sua vez, não acredita nas acusações de Lizzie. Ao mesmo tempo, a protagonista se aproxima de Bridget (Kristen Stewart), a nova empregada de sua casa, e as duas começam a desenvolver um relacionamento.

Vencedores do Globo de Ouro 2019


Vencedores do Globo de Ouro 2019


A entrega dos Globos de Ouro aconteceu ontem, 06 de janeiro, apresentada pelos atores Andy Samberg e Sandra Oh. A premiação sagrou Bohemian Rhapsody, biografia do músico Freddie Mercury, como melhor filme de drama e o ator Rami Malek venceu na categoria de ator dramático por seu trabalho como Freddie no filme. Green Book: O Guia venceu como melhor filme de comédia e rendeu um prêmio de ator coadjuvante para Mahershala Ali. No campo das séries, O Assassinato de Gianni Versace venceu em duas categorias, como melhor minissérie e em melhor ator em minissérie para Darren Criss. Confiram aqui a lista completa de indicados com os vencedores destacados em negrito.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Crítica – Desventuras em Série: 3ª Temporada


Análise Crítica – Desventuras em Série: 3ª Temporada


Resenha – Desventuras em Série: 3ª Temporada
Quando escrevi sobre a segunda temporada de Desventuras em Série, falei sobre a cansativa repetição da mesma estrutura ao longo de seus episódios e a esperança de uma próxima temporada não cometer os mesmos erros. Pois bem, essa terceira e última temporada de fato evita repetir os mesmos formatos e entrega um desfecho digno para a saga de infortúnio dos irmãos Baudelaire.

A narrativa começa no exato ponto em que a temporada anterior terminou, com o Conde Olaf (Neil Patrick Harris) jogando os irmãos Baudelaire do alto de uma montanha. A partir desse ponto acompanhamos o trio de protagonistas em sua busca para descobrir os mistérios envolvendo a sociedade secreta que seus pais faziam parte, a localização do cobiçado açucareiro e as tentativas de se livrar de uma vez por todas da ameaça do Conde.

Desde o primeiro episódio há uma clara sensação de que a série caminha para o seu desfecho e busca amarrar todas as pontas soltas, refletindo sobre os impactos da jornada sobre seus personagens. Se as duas primeiras temporadas tinham um claro viés maniqueísta, exibindo Olaf como um sujeito completamente maligno e irredimível, a atual o torna uma figura mais complexa ao nos exibir o seu passado e as razões da cisão dentro da organização secreta que ele e os pais dos Baudelaire faziam parte.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Crítica – A Vingança Perfeita


Análise Crítica – A Vingança Perfeita


Review – A Vingança Perfeita
No papel A Vingança Perfeita tinha tudo para dar certo: uma estilosa história de vingança com um elenco cheio de intérpretes carismáticos como Margot Robbie e Simon Pegg. Na prática, no entanto, o resultado é um filme vazio e cheio de afetações que não levam a lugar algum.

Na trama, a assassina Bonnie (Margot Robbie) oferece seus serviços para um misterioso chefão do crime. Para trabalhar com ele, porém, ela precisa se mostrar superior aos seus concorrentes. Ao mesmo tempo, Bill (Simon Pegg), um professor com uma doença terminal, vaga pela cidade enquanto contempla a possibilidade de suicídio.

O texto se pretende a uma reflexão sobre violência, loucura, vida e morte, cheio de citações literárias a obras como Alice no País das Maravilhas, construindo longos diálogos verborrágicos com a certeza de que está fazendo algo digno de Quentin Tarantino ou Guy Richie quando, na verdade, está bem longe disso. A verdade é que a maioria dessas conversas nunca produz nenhuma reflexão ou insight sobre os temas abordados e as falas parecem mais estruturadas para gerar frases de efeito “impactantes” ou “descoladas” do que para produzir um argumento interessante a respeito de qualquer um dos assuntos. Claro, Margot Robbie traz uma energia insana à sua assassina que impede que tudo mergulhe no completo tédio, mas nem mesmo ela consegue salvar um texto tão equivocadamente raso.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Crítica – Homem-Aranha no Aranhaverso


Análise Crítica – Homem-Aranha no Aranhaverso


Review – Homem-Aranha no Aranhaverso
A ideia da Sony fazer uma animação baseada nas múltiplas versões do Homem-Aranha parecia apenas uma estratégia caça-níqueis do estúdio para lucrar com o personagem sem precisar ceder o controle à Marvel como em Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017). Não esperava muita coisa, mas o que encontrei foi, talvez, o melhor filme do aracnídeo desde Homem-Aranha 2 (2004) do Sam Raimi.

A trama acompanha Miles Morales (Shameik Moore) que, tal como aconteceu com Peter Parker (Chris Pine), também é mordido por uma aranha radioativa e ganha poderes especiais. As coisas se complicam quando um colisor de partículas usado pelo Rei do Crime (Liev Schrieber) abre um portal para múltiplas dimensões trazendo versões do Homem-Aranha de diferentes universos. Assim, Miles precisará trabalhar com esses outros heróis, como Peter B. Parker (Jake Johnson), um Aranha fora de forma e em fim de carreira, a Gwen Aranha (Hailee Steinfeld), o Homem-Aranha Noir (Nicolas Cage), Peni Parker (Kimiko Glen), uma menina japonesa dentro de um robô aracnídeo, e o Porco-Aranha (John Mulaney), um porco antropomórfico que também tem poderes de aranha.