Muitos reclamam do quanto Dragonball Evolution é distante do mangá e do anime, mas a falta de
fidelidade visual até seria perdoável se o filme fosse capaz de criar uma trama
que fosse interessante ou personagens com algum carisma, mas não é o caso. A
narrativa, tal como no anime, parte da premissa da busca pelas Esferas do
Dragão, que concederia um desejo a quem as reunisse. Aqui, no entanto, a mitologia
é construída de maneira confusa, envolvendo o retorno do Rei Piccolo (James
Marsters) e uma profecia sobre o Oozaru e mais uma série de outros elementos
que tornam o que era uma narrativa relativamente simples em algo mais
bagunçado do que deveria.
Os personagens não eram exatamente poços de complexidade no anime, mas nem tudo que funciona em uma
animação, funciona em live action, e
aqui todos os personagens, de Goku (Justin Chatwin) ao mestre Kame (Chow Yun
Fat), soam como caricaturas grosseiras, inclusive em relação às suas
versões do anime e do mangá. O humor
que era característico de Dragon Ball
é substituído aqui por piadas que mais envergonham do que fazem rir. A única
personagem com um mínimo de carisma acaba sendo a Bulma interpretada por Emmy
Rossum. Claro, ainda seria possível fazer esses personagens funcionarem se o texto fosse
capaz de injetar algum calor humano ou empatia neles, como fizeram as
Wachowskis no subestimado Speed Racer (2008),
no qual mesmo os personagens sendo rasos é possível perceber um sentimento
verdadeiro neles, o que facilita a empatia.