quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Crítica – Murderville

 

Análise Crítica – Murderville

Review – Murderville
Adaptando uma série britânica, Murderville, nova produção da Netflix, tenta misturar trama policial com jogos de improvisação. A trama é centrada no policial Terry Seattle (Will Arnett) que a cada episódio recebe um convidado especial diferente como parceiro. A questão é que esse convidado não tem o roteiro do episódio, não sabe o que vai acontecer e precisa improvisar suas ações enquanto segue Terry na investigação, ao final o convidado precisa apontar corretamente quem é o culpado.

Apesar da ideia de tudo ser construído em cima de improviso, o formato é um pouco mais engessado do que se imaginaria. Todo episódio segue a mesmíssima estrutura, com o convidado conhecendo Terry em seu escritório, depois uma cena com a legista Amber (Lilan Bowden) na qual ela dá as principais pistas do caso, depois uma cena com cada um dos três suspeitos, por fim uma cena com todos os suspeitos reunidos para que o convidado aponte o culpado. Esse formato rígido acaba tornando tudo menos caótico do que se esperaria de uma trama centrada em improviso.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Crítica – O Golpista do Tinder

 

Análise Crítica – O Golpista do Tinder

Review – O Golpista do Tinder
Produzido pela Netflix, o documentário O Golpista do Tinder é daqueles que mostram como a realidade pode ser mais maluca que ficção. A narrativa segue algumas mulheres que teriam conhecido via Tinder um suposto herdeiro de uma empresa bilionária de diamantes. Eles se apaixonam e tudo parece um conto de fadas até que o suposto herdeiro, durante uma viagem de negócios manda um vídeo de seu segurança em um hospital depois de supostamente tê-lo protegido de um atentado. Ele diz que está sendo caçado por traficantes de joias e que precisa usar o cartão de crédito da namorada, já que os dele estão sendo rastreados pelos inimigos. As vítimas logo mandam para ele os dados do cartão e logo o suposto herdeiro começa a pedir que elas aumentem o limite e demanda mais dinheiro.

Em termos de formato, é idêntico a todos os outros documentários sobre crimes reais que vemos na Netflix ou em outras plataformas, recorrendo a entrevistas imagens de arquivo e encenações. O diferente, além da história singular que narra, é como a montagem confere ritmo à trama, mantendo tudo ágil, tenso e constantemente apresentando novas guinadas. Ao longo da projeção a trama passa de algo curioso, para revoltante, para catártico e então revoltante de novo. Dizer mais seria estragar as surpresas da narrativa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Crítica – A Vida Depois

 

Análise Crítica – A Vida Depois

Review – A Vida Depois
Em uma das primeiras cenas de A Vida Depois, a protagonista se levanta da mesa e imediatamente seus pais e sua irmã se levantam como num pulo perguntando se está tudo bem com ela. A garota responde que sim e assim que ela sai a família mostra uma dor contida. Esse breve momento dá a tônica da trama, de como seu olhar sobre o trauma é menos sobre grandes momentos de drama e mais sobre os silêncios, sobre o não dito, sobre o sofrimento implícito que achamos que podemos ignorar, mas inevitavelmente se faz presente.

Na trama, Vada (Jenna Ortega) é uma colegial cuja escola é invadida por um atirador que mata alguns de seus colegas. Na hora do evento Vada estava no banheiro e fica lá escondida ao lado de Mia (Maddie Ziegler), uma das garotas populares, e de Quinton (Niles Fitch), um garoto assustado que entra no banheiro feminino para se esconder dos tiros.

Apesar de não ter testemunhado diretamente os eventos, Vada fica claramente impactada pelo que aconteceu, despertando preocupação dos pais. Por conta da experiência traumática que viveram juntas, Vada e Mia acabam se aproximando na tentativa de lidarem com o que aconteceu. É curiosa a escolha por mostrar essa tragédia sob a ótica de pessoas que não se envolveram diretamente com os eventos, a decisão serve para mostrar como esse tipo de violência deixa marcas até mesmo em quem estava às margens do acontecimento.

Conheçam os indicados ao Oscar 2022

 

Indicados ao Oscar 2022

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou hoje, oito de fevereiro, os indicados ao Oscar 2022. O filme Ataque dos Cães teve o maior número de indicações, com doze menções, enquanto Duna ficou em segundo lugar com dez. Entre as surpresas está a indicação de Jessica Chastain a melhor atriz por In the Eyes of Tammy Faye enquanto que Casa Gucci surpreendeu ao ser indicado apenas por maquiagem e cabelo. A entrega dos prêmios deve acontecer no dia 27 de março e pela primeira desde 2018 a cerimônia terá um apresentador. Confiram abaixo a lista completa de indicados.

 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Crítica – Pokémon Legends: Arceus

 

Análise Crítica – Pokémon Legends: Arceus

Review – Pokémon Legends: Arceus
Desde os primeiros trailers, Pokémon Legends: Arceus parecia o game 3D de Pokémon que eu sempre tinha imaginado desde a época de Pokémon Red/Blue no Game Boy. As imagens mostravam um treinador caminhando por espaços abertos, podendo arremessar pokébolas furtivamente nas criaturinhas ou ser atacado por elas caso fosse visto, com batalhas entre pokémons acontecendo no próprio cenário, sem transição para uma arena de batalha genérica. Restava saber se o produto final estava à altura da promessa.

A trama gira em torno de um garoto sem memória que misteriosamente chega na região de Hisui (basicamente uma versão feudal de Sinnoh). Lá ele acaba se juntando à expedição do Galaxy Team para explorar os mistérios da região e ajudar o Professor Laventon a fazer a primeira Pokédex da história. Além disso, o jovem precisa ajudar os clãs locais, Diamante e Pérola, a manterem a paz entre si e acalmarem os pokémons lendários que servem como lordes da ilha. Essas poderosas criaturas entraram num frenesi agressivo desde que estranhas fendas aparecerem e agora é preciso desvendar o que está por trás da crise.

Indicados ao Framboesa de Ouro 2022

 

Indicados ao Framboesa de Ouro 2022

O Framboesa de Ouro, premiação que “homenageia” os piores do ano lançou hoje, 7 de fevereiro, sua lista de indicados. Entre os mais indicados estão Diana: O Musical, Querido Evan Hansen e Space Jam: Um Novo Legado. A surpresa veio por conta de uma nova categoria inteira dedicada a Bruce Willis, já que o astro de Duro de Matar tem feito ultimamente uma série de produções de baixo orçamento e todas são muito ruins. Entre os esnobados está Conquista, que chegou a figurar em nossa lista de piores do ano passado, que recebeu apenas uma indicação de pior atriz para Ruby Rose quando merecia menções em pior filme, direção, roteiro e ator coadjuvante (Morgan Freeman). A entrega dos prêmios acontecerá no dia 26 de março. Confiram abaixo a lista completa.

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Crítica – Free Guy: Assumindo o Controle

 

Análise Crítica – Free Guy: Assumindo o Controle

Review – Free Guy: Assumindo o Controle
Não esperava muita coisa deste Free Guy: Assumindo o Controle, mas confesso que o resultado é uma aventura divertida, que brinca de maneira esperta com muitas convenções de games. A trama gira em torno de Guy (Ryan Reynolds), um caixa de banco que descobre que ele é um NPC em um game online. Ele se apaixona por uma usuária (Jodie Comer, de Killing Eve) e decide ajudá-la a encontrar provas de que o dono da empresa responsável pelo jogo, Antwan (Taika Waititi), roubou seu código-fonte de outro game.

A primeira coisa que chama atenção é como a trama capta bem como deve ser o cotidiano de algo como GTA Online para os NPCs que vivem na cidade. Tanques, tiroteios e explosões ocorrem a todo o momento conforme Guy caminha pela rua. Caos completo enquanto essas pessoas simplesmente tentam viver as próprias vidas. Personagens jogadores com atitudes ou visuais extremamente agressivos são, na verdade, crianças ou sujeitos toscos que moram com os pais.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Crítica – Mundo em Caos

 

Análise Crítica – Mundo em Caos

Review – Mundo em Caos
Adaptando um livro distópico, este Mundo em Caos é mais uma produção que chegou atrasada para a festa sem perceber que o filão de adaptações literárias de distopias para jovens adultos já não tem dado certo há anos em Hollywood. Assim, ele segue a esteira de Mentes Sombrias (2018) e Máquinas Mortais (2019) como mais uma produção que segue o traçado desse tipo de história, sem oferecer nada de interessante.

A trama se passa no futuro, em um planeta chamado Novo Mundo que foi colonizado pela humanidade. Lá, os pensamentos dos homens emergem sem filtro de suas mentes, podendo ser ouvidos por todos, algo que eles chamaram de “o Ruído”. Mulheres não sobreviveram, fazendo deste um mundo masculino. Por isso a surpresa do jovem Todd (Tom Holland) ao encontrar Viola (Daisy Ridley) nos destroços de uma nave. A garota veio com um grupo de reconhecimento e precisa avisar sua nave de que o planeta é uma colônia viável. O problema é que Prentiss (Mads Mikkelsen), líder da vila de Todd, não quer dividir os recursos com novos colonos, querendo impedir Viola de trazer mais gente ao planeta. Assim, Todd e Viola partem em uma jornada para encontrar um meio de avisar a nave dela.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Crítica – A Vizinha da Mulher na Janela

 

Análise Crítica – A Vizinha da Mulher na Janela

Review – A Vizinha da Mulher na Janela
Histórias de suspense sobre mulheres solitárias e traumatizadas que desenvolvem uma fixação por alguém próximo e acabam se envolvendo em problemas praticamente viraram um subgênero por si só como mostram filmes tipo A Garota do Trem (2016) ou A Mulher na Janela (2021). A série A Vizinha da Mulher na Janela parece perceber isso e decide parodiar esse tipo de história.

A trama é centrada em Anna (Kristen Bell) uma mulher solitária, que se divorciou do marido depois da morte trágica da filha e passa os dias tomando vinho. Um dia um pai solteiro se muda com a filha para a casa da frente e Anna começa a vê-los como uma tentativa de recomeço, se afeiçoando aos dois. Observando eles constantemente pela janela, ela tem a impressão de testemunhar um crime.

Como é comum nesse tipo de história, a personagem tem um problema com bebida, o que é conveniente para que duvidemos de sua percepção dos fatos. Tem também alguma fobia incomum que serve como desculpa conveniente para ela simplesmente não sair de casa para investigar as coisas. Aqui, no entanto, tudo isso é conduzido com um certo senso de absurdo, fazendo graça em cima dessas convenções.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Crítica - Titane

 

Análise Crítica - Titane

Review - Titane
Novo longa de Julia Ducurnau, responsável pelo excelente Raw (2016), Titane é um filme bizarro. Digo isso porque a sensação de estranheza e desconforto certamente deve causar reações polarizadas. É um filme sobre nossa relação com máquinas e tecnologia, como transformamos máquinas em extensões de nós mesmos e nossos corpos. Ao mesmo tempo, é também um filme sobre solidão e carência, sobre como precisamos ser cuidados por alguém e ter alguém para cuidar.

A trama é focada em Alexia (Agatha Rousselle), que desde pequena sempre teve fixação por carros, algo que só se ampliou depois de um acidente em que teve uma placa de titânio colocada na cabeça. Adulta, ela ganha a vida como dançarina, com um número em dança sensualmente enquanto se esfrega em um carro potente. Ela também sente prazer em matar e quando sua última onda de matança lhe coloca na mira das autoridades, ela disfarça a aparência, fingindo ser o filho desaparecido de um bombeiro, Vincent (Vincent Lindon). Um homem tão solitário e carente que acredita em Alexia sem pestanejar.